Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº16, Março/Abril/Maio de 2026.
Força Ação Revoucionária (Chile) – Tradução: Maradona.

Em 1975, foi lançado o filme Salò, do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini. O filme é altamente controverso até hoje por sua violência gráfica e retrata como 4 homens ricos e poderosos raptam 18 jovens para humilhá-los, explorá-los e torturá-los de diversas formas numa mansão.
Na sexta-feira, 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou mais de 3 milhões de documentos, 2.000 vídeos e 180.000 imagens associadas ao denominado “Caso Epstein”.
Tanto o filme de Pasolini como os detalhes publicados no último caso partilham um denominador comum: o protagonismo de criminosos absurdamente ricos que levam a desumanização à níveis perigosamente aberrantes.
O Caso Epstein apresenta-se como um novo lembrete do poder da burguesia e dos seus representantes políticos e legais, e da sua podridão moral.
Seja na qualidade de acobertadores, “clientes” ou contatos próximos, diversas figuras públicas de diferentes países como Bill Clinton, Bill Gates (Microsoft), Peter Thiel (Palantir), William Burns (CIA), Elon Musk (Tesla), Noam Chomsky, Sarah Ferguson ou Donald Trump foram nomeadas nos arquivos de Epstein.
A imprensa mercenária, especialmente a norte-americana, apressou-se a encobrir, minimizar e omitir a cobertura ampla e detalhada deste caso, apesar de se tratar de uma das tramas de tráfico e exploração mais extensas e documentadas das últimas décadas.
Por outro lado, o mal chamado “sistema judicial” norte-americano encerrou o caso, garantindo a impunidade dos responsáveis e negando justiça às vítimas.
A justiça burguesa não existe para julgar a sua própria classe, existe para protegê-la. Os aparatos do Estado Burguês operam como um único aparelho a serviço da dominação de classe.
Apesar da gravidade e os detalhes aberrantes do caso não resistirem a qualquer defesa, nem política nem moral, o que é verdadeiramente alarmante é a naturalização desta barbárie.
Perdemos a sensibilidade perante o horror porque a burguesia conseguiu impor a sua desumanização como norma.
A classe dominante, na sua fase de decadência histórica, não só explora e saqueia: corrompe, degrada e destrói sem limites, tanto material como subjetivamente, corroendo a consciência, a sensibilidade e desumanizando as massas.
Extrapolando esta realidade para o Chile e para o resto do mundo, fica evidente que se trata do funcionamento orgânico de uma classe dominante internacional, coesa e articulada para além de fronteiras.
O surgimento de nomes como Luksic ou Andrés Velasco1 em diferentes arquivos e tramas de poder não revela nada de novo: confirma o caráter estrutural desta rede burguesa, onde capital econômico, poder político e aparatos ideológicos operam de forma integrada.
O financiamento de campanhas presidenciais locais por parte de facções da burguesia internacional apenas torna explícito o que já é evidente: a soberania nacional não é mais do que um recurso retórico, e a democracia burguesa, seu principal mecanismo de contenção. Ambas operam como disfarces de um mesmo regime de dominação de classe.
A tarefa dos revolucionários é recuperar a sensibilidade e a capacidade de indignação perante a barbárie estrutural do capitalismo e colocá-las a serviço da organização e da luta consciente.
Essa sensibilidade só adquire sentido político quando se transforma em força organizada, em disciplina militante e em convicção histórica.
A barbárie capitalista não pode ser reformada nem humanizada, só pode ser superada mediante uma revolução, através da derrota histórica da burguesia como classe e do desmantelamento de todos os seus aparatos de dominação política, econômica e ideológica.
CONTRA A BARBÁRIE DO PODER BURGUÊS!
CONSCIÊNCIA, ORGANIZAÇÃO, REVOLUÇÃO
1NT: Andrónico Mariano Luksic Craig é um burguês chileno, presidente da empresa Quiñenco, empresa matriz do Grupo Luksic — um dos maiores conglomerados do Chile; Andrés Velasco Brañes é um economista e professor chileno que atuou como Ministro das Finanças no primeiro governo de Michelle Bachelet, de março de 2006 a março de 2010.







