Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº15, Novembro/Dezembro de 2025.
Jiren D.

A crise política e social que atravessa o país escancara, mais uma vez, o caráter hipócrita da chamada “democracia brasileira”. Enquanto os deputados discutem em Brasília a anistia e a blindagem de seus próprios crimes — corrupção, destruição ambiental e ataques sistemáticos às liberdades populares — o Estado segue prendendo, reprimindo e assassinando quem luta e quem trabalha para sobreviver.
A contradição entre “democracia” e “ditadura”, repetida pelos blocos dominantes, é apenas um disfarce conveniente. Sob o manto democrático, opera uma verdadeira ditadura contra o povo pobre e trabalhador. De um lado, juízes, parlamentares e empresários seguem impunes, blindados por um sistema feito para proteger os seus crimes. De outro, mães e pais de família são encarcerados por “crimes famélicos”, ambulantes são perseguidos nas ruas, e militantes populares são presos e criminalizados por lutar por moradia, terra e dignidade.
O caso do companheiro Edson, do Movimento de Resistência Popular (MRP) em Brasília, preso e perseguido por lutar por moradia digna, é exemplo vivo da criminalização das lutas sociais. O mesmo ocorre nos campos, onde o sangue do povo segue sendo derramado. Nos últimos anos, dezenas de camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) foram assassinados no Norte e no Nordeste do país. Em Rondônia, Pará e Maranhão, a violência agrária voltou a níveis alarmantes: invasões, despejos e massacres realizados com o apoio direto das forças policiais e do latifúndio armado.
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