Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº16, Março/Abril/Maio de 2026.
Antônio Galego.

O 6º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, de 18 à 21 de abril, será um importante marco na organização dos lutadores e organizações de base do movimento sindical e popular de Norte à Sul do país, dos mais diversos movimentos e categorias, que travaram importantes lutas no último período.
Para nós, a principal missão histórica da CSP-Conlutas, e, portanto, desse Congresso, é contribuir com a reorganização da luta dos trabalhadores, processo que já está em curso e não se restringe à CSP-Conlutas, rompendo com a tradição lulista e oportunista que hoje domina as principais centrais sindicais, movimento sociais e estudantis, apontando um horizonte de reorganização baseado na independência de classe, na ação direta e na auto-organização das massas. Mas esse processo não estará isento de contradições e disputas. Tampouco tal reorganização resolveria todos os dilemas da luta de classes. Sendo assim, quais os desafios do 6º Congresso para avançar nessa missão?
Primeiramente, independência da farsa eleitoral. O congresso se realizará seis meses antes das eleições no Brasil, e, apesar da nula expressividade eleitoral dos partidos hegemônicos na central (PSTU e pequenas correntes do PSOL), a tendência é o atrelamento da central à “candidaturas de esquerda”. No pior cenário anunciar o “voto crítico” na frente ampla de Lula. Isso é um grave erro. É natural que existam partidos dentro das entidades sindicais e populares, mas nós defendemos a independencia radical dessas entidades frente ao processo eleitoral burguês, como uma extensão e aplicação do princípio da independência de classe. A reedição da estratégia eleitoreira do PT sob a ilusão de “renovação da esquerda” só prolongará a crise da classe trabalhadora.
Segundo, ir ao povo. Relacionado à questão anterior, ao invés de olhar para cima, a nossa Central deve olhar para baixo, ir ao povo brasileiro, aos setores mais empobrecidas e estratégicos da nossa classe. O bom e velho trabalho de base. Os recursos e a energia militante da nossa Central devem estar direcionados prioritariamente para essas lutas: de trabalhadores precarizados urbanos, movimento camponês, indígena, etc. São as lutas mais avançadas em nosso país, não por conhecimento livresco mas por condições materiais de vida, que as impulsionam ao enfrentamento com o Estado e Capital. Não deve haver qualquer restrição à participação de movimentos populares na CSP-Conlutas.
Terceiro, rejeição do disputismo e hegemonismo na organização interna. A tradição da maioria das correntes da central, crentes na centralidade da “crise de direção”, na mudança por cima, reproduzem práticas muito ruins, autoriárias e sectárias. Como diz o jargão “querem entrar no ceú a força”. Ansiosos em mandar e se autoconstruir, sabotam a si mesmas e ao projeto comum. Não negamos a disputa política, mas elas devem estar pautadas na luta concreta das massas, não nas degladiações e autoafirmações doutrinárias entre correntes trotskistas.
Por fim, o Grupo Libertação Popular (GLP) tem buscado contribuir humildemente com a construção de uma CSP-Conlutas como pólo de unidade anti-governista. Lançamos em novembro de 2025 o Comunicado nº6 “A CSP-Conlutas e a reorganização da classe trabalhadora”, convocando a articulação de organizações e lutadores do povo em torno de concepções comuns. Não focado no disputismo interno, mas numa rede de apoio e campanhas comuns. Estaremos presentes no 6º Congresso da CSP-Conlutas, aprofundando os laços com camaradas e movimentos. Entre em contato conosco! ■






