Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº16, Março/Abril/Maio de 2026.
Jiren D.

Os catadores de rua de Goiânia – os carrinheiros – vivem uma dura realidade de trabalho pesado e invisibilizado. Diariamente enfrentam sol forte, chuva, longas jornadas, carrinhos excessivamente pesados, riscos constantes de acidentes e o preconceito social. São trabalhadores fundamentais para a cidade e para a preservação ambiental, mas tratados como descartáveis pela ordem capitalista.
Apesar do esforço extremo, a maioria dos catadores de rua recebe muito pouco pelo material coletado. Isso ocorre porque trabalham subordinados aos atravessadores, os chamados “deposeiros”, que lucram em cima do suor desses trabalhadores. Esses atravessadores impõem preços aviltantes, descontos abusivos pelo uso de carrinhos e balanças manipuladas, mantendo os catadores em uma situação permanente de exploração e dependência.
Em vários casos já denunciados pela imprensa, inclusive pela televisão, há depósitos funcionando em condições análogas à escravidão. Catadores são impedidos de receber em dinheiro, sendo obrigados a aceitar pagamento em drogas, vales ou mercadorias, aprofundando a vulnerabilidade social e a violência cotidiana. Trata-se de uma relação brutal de exploração, sustentada pela ausência de direitos, fiscalização conivente e abandono do poder público.
Diante dessa realidade, a saída não virá de cima. A principal alternativa para os catadores de rua é a união e a organização coletiva. A construção de cooperativas autogestionárias é um caminho fundamental para romper com os atravessadores, permitindo que os próprios catadores controlem a venda do material reciclável, melhorem suas condições de trabalho e aumentem o valor recebido pelo que produzem.
Nesse sentido, o Grupo Libertação Popular, em conjunto com o Coletivo de Apoio aos Movimentos Populares – Guilherme Irish, vem iniciando um trabalho de base com assembleias junto aos catadores de rua da região do Jardim América. O objetivo é fortalecer a organização coletiva e avançar na construção da COOPRUA – Cooperativa dos Catadores de Rua, como instrumento de luta, autonomia e busca por uma vida digna para esses trabalhadores.
Por isso, chamamos todos os amigos do povo a apoiar essas iniciativas, contribuindo com solidariedade, divulgação e participação. Fortalecer a organização dos catadores de rua é fortalecer a luta popular. Ir ao povo, construir com o povo, por luta, resistência e organização! ■






