Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº17, Junho/Julho/Agosto de 2026.
O escândalo de corrupção do Banco Master, envolvendo uma série de peças importantes do sistema, como o Governo do Distrito Federal (GDF), o Banco de Brasília (BRB), o Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro (RioPrevidência), o Supremo Tribunal Federal (STF), e, mais especificamente, figuras importantes do poder burguês como Ibaneis Rocha, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Alexandre de Moraes, Michel Temer, ACM Neto, Antonio Rueda, Flávio Bolsonaro, entre outros, já está sendo descrito como a maior fraude bancária da história do Brasil.
O escândalo do Banco Master trouxe a tona a podridão do sistema capitalista, que é a regra, não a exceção. Mas não adianta o choque de realidade pra quem não quer ver. A polarização eleitoral entre lulistas x bolsonaristas ofusca a profundidade do problema. O problema vira moral, episódico, do “outro partido”, solucionável pelo voto.
Mas o que era ruim, piorou. As mesmas instituições corruptas selaram um acordo espúrio para “socorrer” o BRB. O acordo realizado entre o GDF e o BRB com o Governo Lula e o Banco Central, e homologado pelo STF, foi aprovado pela Câmara Legislativa do DF no dia 10/06. Enquanto garante empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o acordo impõe como contrapartida um profundo ajuste fiscal contra o povo, com vários anos sem aumentos salariais, concursos, e cortes nos serviços públicos à população.
Diante disso, uma greve geral combativa seria uma justa e salutar resposta. Mas os trabalhadores seguem reféns, desorganizados e desorientados por uma burocracia sindical cúmplice e incompetende. Um dos principais sindicatos da CUT-DF, o Bancários, chegou mesmo a fazer um ato favorável ao projeto dos corruptos. O ato contrário foi convocado bizarramente para o dia seguinte à votação na CLDF, sem mobilização de base (com exceção do SINDSASC), sem combatividade, impotente frente ao crime perfeito dos ricos e governantes. Uma impotência programada pela cumplicidade e eleitoralismo das burocracias do PT/CUT, e que custará muito caro a toda a classe trabalhadora do DF. ■