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Ou se vota com os de cima, ou se luta com os de baixo!
Por uma CSP-Conlutas com independência de classe e que impulsione a ação direta e a auto-organização das massas populares!
GRUPO LIBERTAÇÃO POPULAR (GLP)
ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA LIBERTÁRIA (OSL)
A conjuntura brasileira vai acelerando as lições e contradições para o movimento de massas, sindical e popular. A opção estratégica que prioriza a disputa eleitoral para a gestão do Estado, hegemônica na esquerda desde a redemocratização, gerou ao longo das últimas décadas graves desvios e crises nas organizações de trabalhadores, afetando a capacidade de resistência para a defesa de direitos básicos. Esta incapacidade, combinada às mudanças políticas e econômicas mais gerais, está diretamente relacionada a avalanche de retrocessos nos direitos trabalhistas e previdenciários, na precarização dos serviços públicos, nos ataques sofridos por povos indígenas, camponeses, dentre outros.
A vitória do governo Lula-Alckmin contou com o apoio da maioria da esquerda e do movimento de massas. A intenção justificada foi o combate ao neoliberalismo e à extrema-direita. No entanto, nada disso foi feito. Apesar de toda demagogia eleitoreira, a política econômica neoliberal e repressiva segue intacta, aprofundando a superexploração dos trabalhadores, a violência no campo e nas favelas, as privatizações e a dependência externa. Por outro lado, o apoio dado ao governo no interior dos sindicatos e movimentos populares gerou grandes contradições e conflitos nos setores que foram à luta. Já nas primeiras semanas de 2023 os entregadores articularam uma greve nacional. A greve foi sabotada e cooptada pelo governo, dando origem a divisões no movimento dos entregadores. As greves na educação federal (2024), na Petrobras e nos Correios (2025), as lutas por moradia (como da Favela do Moinho) e, em especial a heroica resistência dos povos indígenas em várias regiões do país e especialmente no Pará, se enfrentaram com o oportunismo do governo Lula e com a sabotagem de organizações e lideranças governistas.
Todos esses focos de resistência expuseram, mesmo que parcialmente, as contradições entre o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e a estratégia que dá centralidade para a disputa eleitoral, hegemônica na esquerda. Isto é, evidenciaram o contraste entre o caminho da ação direta e da independência de classe e o caminho das ilusões eleitorais e das mudanças conduzidas de cima para baixo.
Certamente essas experiências de luta, as contradições oriundas delas e as suas lições ainda possuem limitações quanto a seu alcance social e na profundidade de suas conclusões. Isso reforça o papel e a responsabilidade histórica dos movimentos e lideranças populares que sabem o que está acontecendo e que buscam uma autêntica reorganização e libertação da nossa classe. Isso por que essas experiências particulares evidenciam um processo geral, com características comuns de Norte à Sul do país, nas lutas e categorias mais diversas, mas que se radicalizam especialmente nas categorias mais precarizadas e que lutam pela sobrevivência mais básica, ou seja, onde as possibilidades de conchavos e de capitulação se tornam pequenas ou inexistentes.
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