
Revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil
Plenária Nacional do Grupo Libertação Popular
Brasil, agosto de 2025.
1 – Introdução
Em maio de 2025 o Grupo Libertação Popular (GLP) completou seu primeiro ano de existência. Somos um jovem agrupamento socialista revolucionária, e, apesar de sermos fruto de outras experiências passadas, tivemos que nos reorganizar quase do zero, o que gerou desafios coletivos no nível de organização interna, de estruturação de frentes de atuação, de unidade de análise, estratégica e programática. Temos enfrentado de frente e com humildade esses desafios. Faltam quadros, falta estrutura, urge o aprofundamento em questões importantes, teóricas e práticas. Demos passos importantes, mas iniciais. Porém, seria um caminho mais fácil e seguro, tanto quanto tolo e inútil, começar a caminhada com todas as respostas.
A Plenária Nacional do GLP, realizada nos dias 23 e 24 de agosto de 2025, surgiu nesse contexto e nessa necessidade. Ao longo de pré-plenárias locais, da leitura e debate das contribuições, releitura de documentos e acúmulos passados, e durante os dois dias da Plenária Geral nós avaliamos a realidade da luta de classes nacional e internacional, os desafios atuais das massas populares e dos revolucionários brasileiros, o quê e até onde podemos avançar como organização, o que ainda precisamos fazer ou melhorar, que erros (de análise e de prática) corrigir. A Plenária teve, portanto, como objetivos: instruir, atualizar e aprofundar diferentes diretrizes da nossa Organização e Luta.
A superação da atual etapa embrionária de organização, em quantidade e qualidade, só será alcançada com um intenso trabalho político articulado com a ação militante, com um espírito de superação do dogmatismo e oportunismo, aberto às necessidades concretas e particulares da revolução brasileira. Da onde estamos para onde queremos chegar existirão muitas etapas históricas a serem cumpridas. Exigirá firmeza e coerência em nosso projeto político (socialista, revolucionário, classista, anti-imperialista, autogestionário) mas grande habilidade para efetuar as transformações internas e orgânicas exigidas em cada etapa de construção, sem se apegar às fórmulas prontas e acabadas. Por isso batizamos nossa Plenária com um lema parafraseado do MIR-Chileno: revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil.
A Plenária ocorre em um momento histórico no Brasil e no mundo marcado pelo acirramento das disputas imperialistas e burguesas, de aumento da superexploração das massas trabalhadoras, retiradas de direitos e destruição ambiental, de novas guerras pelo mundo e do genocídio do povo palestino. O cheiro de enxofre e pólvora do imperialismo ianque se torna mais forte na América do Sul ameaçando os nossos irmãos venezuelanos e também a todos nós com o redesenho geopolítico e econômico da região. Frutos da crise do imperialismo, o atual contexto seria um terreno fértil para uma estratégia revolucionária se não fosse a crise de organização, ideológica e de direção do proletariado.
O descompasso entre as limitações subjetivas da classe e as grandes exigências da nossa geração tem levado comumente à confusão e à capitulação, expressos nos apoios tristes e desgostosos nos “menos piores”, na gestão “progressista” da barbárie, ou pior, alimentado a política reacionária e entreguista da extrema direita. Diante disso, não devemos pintar a realidade com as cores do nosso gosto. Como alertaram os camaradas da editora Grito do Povo na Saudação à Plenária: “a tarefa dos revolucionários e revolucionárias é encarar o mundo como ele é — cru e duro — sem, contudo, cair no pessimismo ou no derrotismo”.
A Plenária reafirmou que todos nós, militantes do Grupo Libertação Popular, assumimos uma grande responsabilidade aos decidirmos construir uma organização como a nossa. Uma responsabilidade frente aos nossos camaradas de luta, mas, principalmente, frente as tarefas de libertação da nossa classe. Nosso nome expressa o nosso objetivo supremo: libertação popular. Alcançar a libertação econômica, política e social em um país como o Brasil não será fácil. Enfrentamos grandes inimigos capitalistas, militaristas e imperialistas. Mas nós decidimos e juramos contribuir honestamente e decisivamente com essa causa. Certamente não faremos sozinhos e ainda temos muito o que caminhar e aprender, mas não desistiremos nem capitularemos, nos organizamos para superar nossas limitações, dar nossa contribuição no curto, médio e longo prazo. Com uma linha correta (como um grupo de ação, de combate, profundamente classista), seguiremos avançando, revolucionando-nos, com paciência e firmeza.
Como revolucionários, iremos ao povo, aprender, apoiar e contribuir para a unidade e direcionamento dos esforços da luta proletária, especialmente nos setores estratégicos. Reafirmamos que o nosso povo não é uma folha em branco (como pensam os doutrinários elitistas de esquerda e de direita), ao contrário disso, é a fonte sagrada e rica da revolução, é a nossa maior fortaleza. Nosso povo é grande, nós somos pequenos. A revolução brasileira diz respeito ao povo, não às nossas opiniões individuais ou sectárias. A força, a sabedoria e as tradições ancestrais, insurgentes e libertárias do heroico povo brasileiro são a fonte e o segredo da vitória da revolução, únicas bases capazes de mobilizar e sustentar os imensos sacrifícios para a destruição da velha ordem e construção de um novo Brasil: do poder popular, da liberdade e do socialismo.
Ir ao Povo!
Organizar a luta combativa por uma vida digna e pela libertação popular!















