Nem EUA/OTAN nem China/Rússia, operários e camponeses contra o capital-imperialismo!
A prefeitura de Águas Lindas de Goiás iniciou em julho de 2024 a construção do Polo Industrial Sol Nascente em Águas Lindas de Goiás, acompanhado de um aeroporto para vôos comerciais. A obra representa muito mais do que um empreendimento local; é a materialização da estratégica da expansão geopolítica chinesa no coração do Brasil. Anunciado como uma “porta de entrada” para dezenas de empresas de tecnologia e logística da China, com investimentos bilionários, o projeto mascara, sob o discurso do desenvolvimento, uma profunda reconfiguração das dependências econômicas e do controle sobre infraestruturas críticas, além da grande disparidade entre as infraestruturas planejadas e o cotidiano de dificuldades que a população enfrenta. Esta iniciativa não é um fato isolado, mas um capítulo calculado da Iniciativa do Cinturão e Rota, que transforma a América Latina de mero fornecedor de commodities em plataforma integrada às cadeias globais comandadas por Pequim.
O contexto revela uma ofensiva metódica. A China já controla setores energéticos, de infraestrutura pesada e digital no país, e agora avança sobre a logística e a indústria de ponta. O Polo Sol Nascente, ancorado em mecanismos como o ITEC – Canal Expresso Brasil-China, pretende ser um nó estratégico para consolidação desse domínio no Centro-Oeste. A “Quadra Chinesa” deverá abrigar dezenas de empresas, complementada por um aeroporto de cargas de R$ 500 milhões, criando um corredor logístico autônomo que servirá prioritariamente ao escoamento da produção asiática.
O Coletivo de Apoio aos Movimentos Populares – Guilherme Irish nasce da necessidade concreta de organização popular combativa em uma sociedade marcada pela desigualdade, pela exploração do trabalho e pela marginalização da maioria do povo. Em Goiânia, como em todo o país, a população pobre das periferias, das ocupações urbanas, a população em situação de rua e os catadores de materiais recicláveis são os que mais trabalham e produzem riqueza, mas permanecem excluídos das decisões e dos benefícios sociais. É diante dessa realidade que o coletivo se constrói, com o objetivo de fortalecer a luta direta e a autonomia dos movimentos populares, ao lado daqueles que vivem diariamente os efeitos mais brutais da ordem burguesa.
Nossa atuação parte da compreensão de que nada virá de cima. Nenhum governo, partido ou instituição resolverá os problemas estruturais enfrentados pelo povo trabalhador. Toda conquista real nasce da união, da organização de base e da luta coletiva. Por isso, o Coletivo Guilherme Irish atua com apoio mútuo, formação política, ação direta e solidariedade de classe, contribuindo para que os próprios movimentos sejam protagonistas de suas decisões, estratégias e rumos.
Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), conhecido como Tiradentes, lutou pela emancipação da capitania de Minas Gerais, sendo parte fundamental do ciclo histórico de lutas emancipacionistas na América Portuguesa do final do século XVIII. Tido como um inconfidente, ou seja, um traidor, Tiradentes foi “resgatado” pelo republicanismo ao final do século XIX e elevado a líder nacional durante a república brasileira, inclusive pela Ditadura Militar, evidenciando a disputa ideológica e memorial sobre sua figura legendária.
O lider circulava entre diversos setores da sociedade por meio de sua primeira profissão, dentista (daí a alcunha “Tiradentes”). Ao contrário do que popularmente se acredita, não era um sujeito pobre, sendo sua família proprietária de terras com boas condições financeiras. De dentista, tornou-se tropeiro, realizando viagens pelo Brasil, o que aguçou seu olhar para o país. Foi aceito no serviço militar em 1775, durante o qual, atuou na mineração.
Influenciado pelo republicanismo norte-americano (até então revolucionário, ainda que limitado), sua perspectiva para o desenvolvimento regional e independência é clara, como nos evidencia Kenneth Maxwell (1973): “elogiava a beleza de Minas e apontava seus recursos naturais como os melhores do mundo […]. Livre e republicano, como a América inglesa, o Brasil poderia ser ainda maior, dizia ele, por ser melhor dotado pela natureza. Criando-se indústrias […] não haveria necessidade de importar mercadorias estrangeiras”. Segundo Tiradentes, a razão da pobreza do país, apesar de todas as suas riquezas era “só porque a Europa, como uma esponja, lhe estivesse chupando toda a substancia, e os Exmos. Generaes de tres em tres annos traziam uma quadrilha, a que chamavam creados, que depois de comerem a honra, a fazenda, e os officios, que deviam ser dos habitantes, se iam rindo delles para Portugal”.
Os catadores de rua de Goiânia – os carrinheiros – vivem uma dura realidade de trabalho pesado e invisibilizado. Diariamente enfrentam sol forte, chuva, longas jornadas, carrinhos excessivamente pesados, riscos constantes de acidentes e o preconceito social. São trabalhadores fundamentais para a cidade e para a preservação ambiental, mas tratados como descartáveis pela ordem capitalista.
Apesar do esforço extremo, a maioria dos catadores de rua recebe muito pouco pelo material coletado. Isso ocorre porque trabalham subordinados aos atravessadores, os chamados “deposeiros”, que lucram em cima do suor desses trabalhadores. Esses atravessadores impõem preços aviltantes, descontos abusivos pelo uso de carrinhos e balanças manipuladas, mantendo os catadores em uma situação permanente de exploração e dependência.
Em vários casos já denunciados pela imprensa, inclusive pela televisão, há depósitos funcionando em condições análogas à escravidão. Catadores são impedidos de receber em dinheiro, sendo obrigados a aceitar pagamento em drogas, vales ou mercadorias, aprofundando a vulnerabilidade social e a violência cotidiana. Trata-se de uma relação brutal de exploração, sustentada pela ausência de direitos, fiscalização conivente e abandono do poder público.
“Eu sou brasileiro. Eu sou o que a prática revolucionária realizada no contexto brasileiro fez de mim. Nós seguimos nosso próprio caminho e se chegamos à pontos de vista iguais aos de Mao, Ho Chi Minh, Fidel Castro, Guevara, etc., não foi pelo nosso desejo.” (Carlos Marighella)
Nos últimos anos presenciamos diversos rachas nas organizações de esquerda, reformistas e revolucionárias. Esse é mais um sintoma da crise atual da classe trabalhadora. É um fato que as organizações combativas e anti-governistas apresentam limitações para responder (na teoria e na prática) à situação atual, levando à rachas e conflitos internos. O projeto petista também tem dificuldade em responder às suas próprias contradições. Por isso a crise é generalizada e a busca por respostas (aonde ir e o que fazer) é uma constante.
Uma primeira característica do que chamamos doutrinarismo é a ideia de buscar uma fórmula teórico-ideológica que seja pura e que esteja perdida em algum momento, lugar ou pessoa do passado e que nós devemos descobrir. É como se os problemas fundamentais da revolução brasileira já tenham sido resolvidos em outro tempo-espaço, basta a gente ter acesso a essa verdade, a esse modelo.
No geral, trotskistas, anarquistas e maoistas são os mais doutrinários. A subjetividade defensiva fruto de uma experiência histórica traumática no século XX, de posições traídas, reforça a vigilância e apego ao “caminho correto” desvirtuado. A cada nova ruptura, a promessa de “erradicar o revisionismo” e reconstruir o “verdadeiro” partido da revolução. E assim vão acumulando tantas correntes e sub-correntes, com base em interpretações distintas das “escrituras”, mas que, ao fim e ao cabo, são usadas para justificar as posições políticas concretas mais díspares (frente ao governo, à luta sindical, etc.).
A continuación publicamos la traducción al español de las resoluciones públicas de la plenaria nacional de nuestra joven organización. Esperamos así que las luchas y debates que libramos junto al pueblo trabajador brasileño lleguen cada vez a un mayor número de camaradas y organizaciones revolucionarias en todo el mundo. En un momento en que la profundización de la crisis imperialista amenaza a los pueblos del mundo, en particular a los de Latinoamérica, es más necesario que nunca estrechar los lazos, los intercambios y las redes de apoyo mutuo y acción directa basadas en el internacionalismo, el clasismo y el antiimperialismo. Más aún, es importante que la política antiimperialista no se base en sectarismos ideológicos, sino en criterios más concretos y estratégicos de la lucha de clases; también es necesario que nuestro internacionalismo no se confunda con un cosmopolitismo pequeñoburgués, sino que esté profundamente arraigado en nuestro pueblo y sus experiencias colectivas particulares. La traducción fue realizada por el compañero “Maradona”. ¡Buena lectura a todos y todas!
Revolucionar a nosotros para
revolucionar el Brasil
Plenaria Nacional del Grupo Libertação Popular (Grupo Liberación Popular) Brasil, agosto de 2025.
1 – Introducción
En mayo de 2025 el Grupo Liberación Popular (GLP) cumplió su primer año de existencia. Somos un joven agrupamiento socialista revolucionario, y, a pesar de ser fruto de otras experiencias pasadas, tuvimos que reorganizarnos casi desde cero, lo que generó desafíos colectivos a nivel de organización interna, de estructuración de frentes de actuación, de unidad de análisis, estratégica y programática. Hemos enfrentado de frente y con humildad esos desafíos. Faltan cuadros, falta estructura, urge profundizar en cuestiones importantes, teóricas y prácticas. Dimos pasos importantes, pero iniciales. Sin embargo, sería un camino más fácil y seguro, tanto como tonto e inútil, comenzar la caminata con todas las respuestas.
La Plenaria Nacional del GLP, realizada los días 23 y 24 de agosto de 2025, surgió en ese contexto y en esa necesidad. A lo largo de pre-plenarias locales, de la lectura y debate de las contribuciones, relectura de documentos y acumulados pasados, y durante los dos días de la Plenaria General evaluamos la realidad de la lucha de clases nacional e internacional, los desafíos actuales de las masas populares y de los revolucionarios brasileños, qué y hasta dónde podemos avanzar como organización, qué todavía necesitamos hacer o mejorar, qué errores (de análisis y de práctica) corregir. La Plenaria tuvo, por lo tanto, como objetivos: instruir, actualizar y profundizar diferentes directrices de nuestra Organización y Lucha.
La superación de la actual etapa embrionaria de organización, en cantidad y calidad, solo será alcanzada con un intenso trabajo político articulado con la acción militante, con un espíritu de superación del dogmatismo y oportunismo, abierto a las necesidades concretas y particulares de la revolución brasileña. Desde donde estamos hacia donde queremos llegar existirán muchas etapas históricas por cumplir. Exigirá firmeza y coherencia en nuestro proyecto político (socialista, revolucionario, clasista, antiimperialista, autogestionario) pero gran habilidad para efectuar las transformaciones internas y orgánicas exigidas en cada etapa de construcción, sin aferrarse a fórmulas listas y acabadas. Por eso bautizamos nuestra Plenaria con un lema parafraseado del MIR-Chileno: revolucionar a nosotros para revolucionar el Brasil.
Publicado emDebate, GLP, Internacional, Teoria e ideologia|Comentários fechados em Español | Resoluciones de la 1.ª Plenaria Nacional del Grupo Liberación Popular (GLP)
No dia 22 de fevereiro um coletivo de professores do Grupo Libertação Popular (GLP) passou em mais de 20 escolas da Ceilândia e Sol Nascente lançando a primeira edição do boletim Magistério Rebelde, um instrumento que pretende defender um novo paradigma de luta e organização na categoria de trabalhadores da educação, assim como colando cartazes contra o “golpe estatutário” arquitetado pela atual diretoria do SINPRO-DF (PT, PCdoB e PSOL). Nas escolas, os professores do povo passaram também na “salinha” dos terceirizados da limpeza conversando sobre a campanha contra as derrubadas de moradias populares e roubo de ambulantes pelo DF Legal, sendo muito bem recebidos, recebendo relatos e desabafos. A proposta é seguir fazendo trabalho de base em mais escolas até o dia da Assembleia Geral do Magistério dia 18 de março. Leia abaixo os textos do boletim Magistério Rebelde nº1:
Como se não bastasse o que fizeram na greve de 2025… Diretoria prepara golpe estatutário!
O primeiro semestre de 2025 foi marcado por uma greve histórica da categoria que expôs a crise profunda do modelo sindical representado pela atual diretoria do SINPRO, hegemônica há cerca de 30 anos pelo PT e PCdoB, que agora incorporou uma corrente do PSOL. O estopim foi a assembleia geral de 25 de junho, dia em que a diretoria aplicou seu golpe na categoria, utilizando métodos autocráticos para encerrar a greve, ignorando a decisão da base de continuar a luta. Esse episódio é a manifestação mais explícita das práticas pelegas da burocracia sindical, que vêm enfraquecendo a categoria e causando retrocessos em direitos há mais de uma década.
Durante o processo eleitoral, formou-se a Chapa 2 “Alternativa”, uma frente de grupos de oposição (da qual participa o Grupo Libertação Popular, junto com outros coletivos) com um programa focado em combater a burocratização (devolvendo poder às bases) e combater o peleguismo (rompendo conchavos com governos). A campanha da Chapa 2, embora tenha gerado entusiasmo nas escolas, não se converteu em votos suficientes, evidenciando o poder da máquina sindical e de suas “claques” (grupos de apoio acríticos) para se manter no poder.
Alertamos os professores sobre a continuidade desse projeto autoritário de poder. A atual diretoria, fortalecida pela vitória eleitoral e usando a estrutura do sindicato, pretende agora alterar o estatuto da entidade, aprofundando os mecanismos de controle e perpetuando a burocracia no comando de nossa entidade, aumentando ainda mais a distância entre a direção e a base da categoria. Como não conseguiram fazer isso no 13º Congresso dos Trabalhadores em Educação (CTE) por falta de quórum – tamanha a sua vontade de aplicar um golpe às escondidas, pelas costas da categoria – precisarão fazê-lo agora em alguma assembleia desse ano, aonde tentarão manipular novamente os resultados. É preciso ficarmos de olhos abertos para impedir esse golpe!
Publicado emCampanha, Distrito Federal, GLP, Sindical|Comentários fechados em DF | Professores do povo lançam o boletim Magistério Rebelde e denunciam golpe estatutário no sindicato
O Grupo Libertação Popular convida para o 2º Ciclo de Formação Básica do Militante do Povo, que acontecerá em Brasília (DF), na sede da CSP-Conlutas (SCS, Qd. 3, Ed. Planalto, Bloco A, sala 106), sempre aos sábados, a partir das 9h da manhã nas seguintes datas: 28/02, 14/03 e 28/03. Iniciaremos cada formação com um Café da Manhã para os participantes, apresentação das pautas e organização da atividade.
Abordaremos em nossos encontros a temática: Lutas e revoltas do povo brasileiro. A formação tem o objetivo de auxiliar jovens, adultos, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras a compreender o povo brasileiro como sujeito histórico; a valorizar as experiências coletivas de resistência; a fortalecer a identidade popular, insurgente e libertadora; a preparar militantes capazes de dialogar com a realidade concreta das massas.
Em cada encontro aprenderemos sobre os seguintes temas:
28/02, Sábado às 9h – Introdução e Brasil Colônia
14/03, Sábado às 9h – Brasil Império e República Velha até o pré-golpe de 1964
28/03, Sábado às 9h- Ditadura civil-militar de 64 e anexo (outras revoltas virão)
Este segundo Caderno de Formação “Lutas e revoltas do povo brasileiro: nossa tradição popular, insurgente e libertadora” nasce da necessidade de aprofundar nossa compreensão sobre a história real do povo brasileiro: uma história marcada por exploração, violência, resistência e revolta. Longe de ser uma trajetória passiva, nossa formação social foi construída por lutas coletivas, por levantes populares, por experiências de organização e enfrentamento que atravessam séculos.
Como afirmava Miguel Bakunin:
“Isso me basta agora para demonstrar que nosso povo não é uma folha em branco em que qualquer associação secreta pode escrever o que ela bem entender. O povo elaborou, em parte consciente e quase tudo inconscientemente, seu próprio programa, que cada associação deve conhecer, adivinhar, e ao qual terá que conformar-se se quiser vencer.”
Partimos dessa compreensão fundamental: o povo não começa do zero. Sua consciência, sua cultura política, suas formas de luta e seus valores são produtos de uma longa experiência histórica coletiva. Cada quilombo, cada revolta, cada greve, cada organização clandestina, cada levante camponês ou operário deixou marcas profundas na memória popular.
Este caderno busca recuperar essas experiências como fonte viva de aprendizado. Não se trata de estudar o passado por curiosidade acadêmica, mas de compreendê-lo como parte do nosso presente e como base para a construção das lutas futuras.
Ao percorrer desde o período colonial até as insurgências contemporâneas, este material evidencia que a resistência sempre esteve presente: nos povos indígenas, nos escravizados, nos quilombolas, nos camponeses, nos marinheiros, nos operários, na juventude e nos militantes revolucionários. A história oficial tentou apagar essas trajetórias, substituindo-as por versões que exaltam elites e opressores. Nosso compromisso é resgatar a história vista desde baixo, desde o ponto de vista das massas populares.
Inspirados no pensamento de tantos revolucionários e socialistas compreendemos que nenhuma organização revolucionária pode impor artificialmente um programa às massas. O papel da militância é aprender com o povo, sistematizar suas experiências, fortalecer suas formas de luta e contribuir para que sua energia histórica se transforme em força consciente de transformação social.
Assim, este Caderno de Formação Básica do Militante do Povo – Volume 2 articula teoria, história e prática, buscando:
Compreender o povo brasileiro como sujeito histórico;
Valorizar as experiências coletivas de resistência;
Fortalecer a identidade popular, insurgente e libertadora;
Preparar militantes capazes de dialogar com a realidade concreta das massas.
Este material é, portanto, um instrumento de formação, organização e luta. Um convite ao estudo coletivo, ao debate crítico e ao enraizamento nas tradições de combate das massas populares do Brasil. Que ele sirva para reafirmar que nossa história é feita de resistência, luta e organização!
Porque outras revoltas virão. E elas nascerão, como sempre, da experiência viva das massas populares em movimento.
Revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil
Plenária Nacional do Grupo Libertação Popular Brasil, agosto de 2025.
1 – Introdução
Em maio de 2025 o Grupo Libertação Popular (GLP) completou seu primeiro ano de existência. Somos um jovem agrupamento socialista revolucionária, e, apesar de sermos fruto de outras experiências passadas, tivemos que nos reorganizar quase do zero, o que gerou desafios coletivos no nível de organização interna, de estruturação de frentes de atuação, de unidade de análise, estratégica e programática. Temos enfrentado de frente e com humildade esses desafios. Faltam quadros, falta estrutura, urge o aprofundamento em questões importantes, teóricas e práticas. Demos passos importantes, mas iniciais. Porém, seria um caminho mais fácil e seguro, tanto quanto tolo e inútil, começar a caminhada com todas as respostas.
A Plenária Nacional do GLP, realizada nos dias 23 e 24 de agosto de 2025, surgiu nesse contexto e nessa necessidade. Ao longo de pré-plenárias locais, da leitura e debate das contribuições, releitura de documentos e acúmulos passados, e durante os dois dias da Plenária Geral nós avaliamos a realidade da luta de classes nacional e internacional, os desafios atuais das massas populares e dos revolucionários brasileiros, o quê e até onde podemos avançar como organização, o que ainda precisamos fazer ou melhorar, que erros (de análise e de prática) corrigir. A Plenária teve, portanto, como objetivos: instruir, atualizar e aprofundar diferentes diretrizes da nossa Organização e Luta.
A superação da atual etapa embrionária de organização, em quantidade e qualidade, só será alcançada com um intenso trabalho político articulado com a ação militante, com um espírito de superação do dogmatismo e oportunismo, aberto às necessidades concretas e particulares da revolução brasileira. Da onde estamos para onde queremos chegar existirão muitas etapas históricas a serem cumpridas. Exigirá firmeza e coerência em nosso projeto político (socialista, revolucionário, classista, anti-imperialista, autogestionário) mas grande habilidade para efetuar as transformações internas e orgânicas exigidas em cada etapa de construção, sem se apegar às fórmulas prontas e acabadas. Por isso batizamos nossa Plenária com um lema parafraseado do MIR-Chileno: revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil.
A Plenária ocorre em um momento histórico no Brasil e no mundo marcado pelo acirramento das disputas imperialistas e burguesas, de aumento da superexploração das massas trabalhadoras, retiradas de direitos e destruição ambiental, de novas guerras pelo mundo e do genocídio do povo palestino. O cheiro de enxofre e pólvora do imperialismo ianque se torna mais forte na América do Sul ameaçando os nossos irmãos venezuelanos e também a todos nós com o redesenho geopolítico e econômico da região. Frutos da crise do imperialismo, o atual contexto seria um terreno fértil para uma estratégia revolucionária se não fosse a crise de organização, ideológica e de direção do proletariado.
O descompasso entre as limitações subjetivas da classe e as grandes exigências da nossa geração tem levado comumente à confusão e à capitulação, expressos nos apoios tristes e desgostosos nos “menos piores”, na gestão “progressista” da barbárie, ou pior, alimentado a política reacionária e entreguista da extrema direita. Diante disso, não devemos pintar a realidade com as cores do nosso gosto. Como alertaram os camaradas da editora Grito do Povo na Saudação à Plenária: “a tarefa dos revolucionários e revolucionárias é encarar o mundo como ele é — cru e duro — sem, contudo, cair no pessimismo ou no derrotismo”.
A Plenária reafirmou que todos nós, militantes do Grupo Libertação Popular, assumimos uma grande responsabilidade aos decidirmos construir uma organização como a nossa. Uma responsabilidade frente aos nossos camaradas de luta, mas, principalmente, frente as tarefas de libertação da nossa classe. Nosso nome expressa o nosso objetivo supremo: libertação popular. Alcançar a libertação econômica, política e social em um país como o Brasil não será fácil. Enfrentamos grandes inimigos capitalistas, militaristas e imperialistas. Mas nós decidimos e juramos contribuir honestamente e decisivamente com essa causa. Certamente não faremos sozinhos e ainda temos muito o que caminhar e aprender, mas não desistiremos nem capitularemos, nos organizamos para superar nossas limitações, dar nossa contribuição no curto, médio e longo prazo. Com uma linha correta (como um grupo de ação, de combate, profundamente classista), seguiremos avançando, revolucionando-nos, com paciência e firmeza.
Como revolucionários, iremos ao povo, aprender, apoiar e contribuir para a unidade e direcionamento dos esforços da luta proletária, especialmente nos setores estratégicos. Reafirmamos que o nosso povo não é uma folha em branco (como pensam os doutrinários elitistas de esquerda e de direita), ao contrário disso, é a fonte sagrada e rica da revolução, é a nossa maior fortaleza. Nosso povo é grande, nós somos pequenos. A revolução brasileira diz respeito ao povo, não às nossas opiniões individuais ou sectárias. A força, a sabedoria e as tradições ancestrais, insurgentes e libertárias do heroico povo brasileiro são a fonte e o segredo da vitória da revolução, únicas bases capazes de mobilizar e sustentar os imensos sacrifícios para a destruição da velha ordem e construção de um novo Brasil: do poder popular, da liberdade e do socialismo.
Ir ao Povo! Organizar a luta combativa por uma vida digna e pela libertação popular!
“A sociedade, no grande sentido da palavra, o povo, a vil multidão, a massa dos trabalhadores, não só dá a força e a vida, mas também dá os elementos de todos os pensamentos modernos, e um pensamento que não sai do seu seio e que não é a expressão fiel dos seus instintos populares, é um pensamento que já nasceu morto."