

Sempre no 1º de maio recebemos muitas mensagens e homenagens, algumas sinceras, outras nem tanto, elogiando aqueles que trabalham e dão duro todos os dias. Muitos governantes, patrões, gerentes e encarregados, que são responsáveis pelo sofrimento e a pobreza dos trabalhadores, vão sorrir e desejar felicidades. Mas poucas pessoas falam da verdadeira realidade do trabalhador, poucos falam o que ele realmente merece pelo seu esforço, poucos falam como conquistar uma vida digna, justa e livre.
É hora de parar com as mentiras eleitoreiras, com a ostentação e com as ilusões vendidas todos os dias. Não são as promessas, nem as redes sociais, nem os discursos bonitos que vão melhorar nossa vida. É hora de falar a verdade sobre o que o trabalhador merece e sobre como conquistar isso. É hora de tomar de volta tudo aquilo que os ricos nos roubam há séculos. É difícil? Sim. Parece impossível? Talvez. Mas é a única forma de mudar a nossa realidade: ir à luta, unir nossos irmãos e irmãs do trabalho e do bairro, e construir a força das massas populares. É essa conversa que precisamos ter nesse 1º de maio.
Os trabalhadores são imprescindíveis para a sociedade, os patrões não!
Imagine que, de uma hora pra outra, não existissem mais trabalhadores no mundo. A agricultura, a indústria, o comércio e os serviços simplesmente parariam. Não haveria comida, roupa, moradia, transporte. Tudo o que existe foi produzido pelo trabalho humano.
Mas mesmo sendo os verdadeiros produtores da riqueza, os trabalhadores vivem na miséria, de aluguel ou de favor, sem estabilidade, sem salário digno, sem liberdade. Isso acontece porque, no mundo burguês, os patrões, os ricos e os governos se apropriam da maior parte do que o trabalho produz. Eles controlam a propriedade, as leis e a repressão. Não produzem nada, mas vivem como parasitas, explorando o suor do povo através do lucro e dos impostos.
Perguntamos novamente: o que o trabalhador merece? A resposta é simples: tudo! O povo acorda de madrugada, enfrenta transporte lotado, trabalha o dia inteiro e ainda escuta que o patrão é o “produtor”. Isso é uma farsa! Os verdadeiros produtores são os trabalhadores, os proletários. Os ricos vivem da exploração e da desigualdade que eles mesmos sustentam.
O Governo Lula segue a mesma política dos ricos
A política eleitoral parece um jogo: mudam os nomes, mudam os partidos, mas as regras continuam as mesmas. Criam rivalidades, dividem o povo, mas no fim quem ganha são sempre os mesmos. Quando o trabalhador acredita que um ou outro candidato vai mudar sua vida dentro desse sistema, acaba sendo enganado.
Até agora, a vida do povo pouco mudou. Enquanto seguem as reformas neoliberais, como a trabalhista e a previdenciária, aumentam os trabalhos temporários, terceirizados, com jornadas exaustivas e salários baixos. O salário mínimo no Brasil teve um aumento pífio, chegando a R$ 1.621,00, ainda entre os mais baixos da América Latina.
A isso se soma o poder real de compra das massas populares. De nada adianta aumentar uma migalha o salário se a inflação dos alimentos e de outros produtos essenciais só cresce. Segundo o IBGE, nos últimos 12 meses a inflação acumulou alta de 7,42%, com destaque para o ovo (+19,44%), o tomate (+12,57%) e o café moído (+8,53%). A tendência é a continuidade da carestia. Enquanto isso, o governo aplica o chamado arcabouço fiscal, que na prática garante o pagamento da dívida aos ricos enquanto corta investimentos sociais, e segue despejando bilhões no Plano Safra para o agronegócio. No fim das contas, fica claro que, no mundo burguês, os governos governam para banqueiros, latifundiários e grandes empresários, enquanto o povo trabalhador segue pagando a conta da crise.
Os sindicatos pelegos são inimigos do povo trabalhador
Pra piorar, muitos sindicatos e movimentos que dizem defender os trabalhadores acabam servindo aos patrões e aos governos. Aparecem só em época de eleição, mas não constroem luta real. Estão mais próximos dos gabinetes do que do chão da fábrica, mais preocupados com cargos do que com organização popular.
As grandes Centrais Sindicais (CUT, Força Sindical, CTB e outras) são ainda piores: em meio a tantos ataques aos direitos dos trabalhadores, se calam ou atuam para conter a luta. Recebem cargos, benefícios e ajudam a manter o povo desmobilizado. Não é por acaso que a maioria dos trabalhadores não se sente representada por essas estruturas.
Além disso, segue a política de cooptação dos movimentos populares, oferecendo cargos e benefícios para enfraquecer a resistência e integrar as lideranças ao sistema.
Como e onde lutar pelos direitos do povo trabalhador? Um convite à ação!
Apesar de tudo isso, é possível e necessário lutar. O 1º de maio é um dia de reflexão, mas também de organização e ação.
1º) Precisamos nos unir e construir movimentos combativos, organizados a partir das bases, para lutar por trabalho, terra, moradia, saúde, educação e dignidade;
2º) O foco da luta deve estar nos setores estratégicos capazes de paralisar o sistema (como construção, transporte, comércio, agropecuária), mas também avançar na construção do coletivo de apoios aos movimento populares, fortalecendo organizações comunitárias nas periferias e dando centralidade aos setores mais marginalizados do proletariado. É nesses territórios que a luta popular pode crescer, se enraizar e construir o verdadeiro poder popular;
3º) Esses movimentos devem ser independentes, sem ligação com patrões, governos ou interesses eleitorais. A libertação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores, através de assembleias, greves, ocupações, solidariedade e ação direta.
Para nós, trilhar uma nova estratégia de luta e reorganização passa pela reafirmação da independência de classe no movimento de massas. Não apenas em relação aos governos, mas também ao próprio processo eleitoral burguês. Por isso, não temos ilusões: nem Lula, nem Bolsonaro, nem no primeiro nem no segundo turno, nem qualquer candidato da democracia burguesa representa os interesses do povo. Nosso caminho se constrói na luta direta, na organização das massas populares e na força coletiva do povo trabalhador.
4º) Nosso objetivo final é construir uma nova sociedade, onde toda a riqueza produzida pertença aos trabalhadores, onde a vida seja organizada para garantir bem-estar, justiça e liberdade. Essa nova sociedade só será possível com o fim do sistema capitalista que explora e oprime o povo.






