
Este segundo Caderno de Formação “Lutas e revoltas do povo brasileiro: nossa tradição popular, insurgente e libertadora” nasce da necessidade de aprofundar nossa compreensão sobre a história real do povo brasileiro: uma história marcada por exploração, violência, resistência e revolta. Longe de ser uma trajetória passiva, nossa formação social foi construída por lutas coletivas, por levantes populares, por experiências de organização e enfrentamento que atravessam séculos.
Como afirmava Miguel Bakunin:
“Isso me basta agora para demonstrar que nosso povo não é uma folha em branco em que qualquer associação secreta pode escrever o que ela bem entender. O povo elaborou, em parte consciente e quase tudo inconscientemente, seu próprio programa, que cada associação deve conhecer, adivinhar, e ao qual terá que conformar-se se quiser vencer.”
Partimos dessa compreensão fundamental: o povo não começa do zero. Sua consciência, sua cultura política, suas formas de luta e seus valores são produtos de uma longa experiência histórica coletiva. Cada quilombo, cada revolta, cada greve, cada organização clandestina, cada levante camponês ou operário deixou marcas profundas na memória popular.
Este caderno busca recuperar essas experiências como fonte viva de aprendizado. Não se trata de estudar o passado por curiosidade acadêmica, mas de compreendê-lo como parte do nosso presente e como base para a construção das lutas futuras.
Ao percorrer desde o período colonial até as insurgências contemporâneas, este material evidencia que a resistência sempre esteve presente: nos povos indígenas, nos escravizados, nos quilombolas, nos camponeses, nos marinheiros, nos operários, na juventude e nos militantes revolucionários. A história oficial tentou apagar essas trajetórias, substituindo-as por versões que exaltam elites e opressores. Nosso compromisso é resgatar a história vista desde baixo, desde o ponto de vista das massas populares.
Inspirados no pensamento de tantos revolucionários e socialistas compreendemos que nenhuma organização revolucionária pode impor artificialmente um programa às massas. O papel da militância é aprender com o povo, sistematizar suas experiências, fortalecer suas formas de luta e contribuir para que sua energia histórica se transforme em força consciente de transformação social.
Assim, este Caderno de Formação Básica do Militante do Povo – Volume 2 articula teoria, história e prática, buscando:
- Compreender o povo brasileiro como sujeito histórico;
- Valorizar as experiências coletivas de resistência;
- Fortalecer a identidade popular, insurgente e libertadora;
- Preparar militantes capazes de dialogar com a realidade concreta das massas.
Este material é, portanto, um instrumento de formação, organização e luta. Um convite ao estudo coletivo, ao debate crítico e ao enraizamento nas tradições de combate das massas populares do Brasil. Que ele sirva para reafirmar que nossa história é feita de resistência, luta e organização!
Porque outras revoltas virão.
E elas nascerão, como sempre, da experiência viva das massas populares em movimento.






