
Coordenação Geral do Grupo Libertação Popular,
19 de maio de 2026.
Desde o final de abril a Bolívia vive um processo ascendente de luta e radicalização das massas populares contra o pacote de medidas antipopulares do governo reacionário de Rodrigo Paz.
Entre as principais reivindicações estão a rejeição às mudanças no regime de propriedade em benefício da burguesia agrária (lei 1.720), a alta do preço dos combustíveis, o arrocho salarial e às péssimas condições de vida. A isso se soma a militarização do país e a repressão às massas populares, que se evidencia hoje com mortos, feridos, presos e perseguidos políticos.
Desde o princípio as organizações indígenas, camponesas e proletárias se valeram dos autênticos métodos de ação direta, tais como as greves, bloqueios de estradas, marchas, e acumulando forças para a deflagração de uma greve geral por tempo indeterminado e do uso da violência política e da autodefesa, configurando assim uma situação insurrecional na Bolívia.
Sabemos que as insurreições populares, autênticas expressões da luta de classes, não caminham necessariamente para uma ofensiva revolucionária. As insurreições, como outros processos políticos, possuem potenciais e limites impostos pela realidade, e são alvos de toda sorte de disputas de “alternativas”. O caminho revolucionário é o mais difícil. A transformação da insurreição em ofensiva revolucionária com a destruição do poder burguês é um caminho sem volta.
Mas a estratégia e o programa revolucionários são aqueles que expressam integralmente e conscientemente aquilo que a insurreição aponta apenas em germe. Já a reação política burguesa, progressista ou reacionária, é sempre uma negação mais ou menos evidentes da ação transformadora das massas. Plebiscitos, constituintes, novas eleições, massacres, etc… serão diferentes respostas contrainsurgentes (não excludentes) da burguesia a depender do contexto.
A revolta do povo boliviano expressa hoje os dilemas da luta de libertação na América Latina: se não houver condições objetivas e subjetivas para uma ofensiva revolucionária a tendência é a reconfiguração do poder burguês e a contrainsurgência. Mas a luta deve ser levada aos seus limites, extraindo todo o seu potencial, separando ainda mais a política popular da política burguesa, organizando e formando novos revolucionários, elevando as organizações de massas e de vanguarda à outro patamar, construindo e fortalecendo os embriões de Poder Popular e de Autodefesa das massas, preparando assim um ponto mais elevado de partida em caso de refluxo/defensiva quase certo após o fim da insurreição.
Assim, a tarefa central hoje é dotar a luta das massas bolivianas, brasileiras e latino-americanas em geral, das mais simples às mais avançadas, de um novo horizonte estratégico e programático capaz de superar o momento de crise política profunda, as ilusões burguesas e pequeno-burguesas (progressistas e reacionárias) e iniciar desde já a construção das ferramentas necessárias para destruir todos os inimigos da nossa classe. Construir, em especial, a Organização de combate dos militantes populares revolucionários. Para varrer o poder burguês e imperialista da América Latina. Sem vacilações e sem conciliações.
AVANTE A REVOLTA POPULAR NA BOLÍVIA!
TODO PODER AO POVO!






