Panfleto do Grupo Libertação Popular (GLP) – [BAIXE EM PDF]

Na tarde do dia 13 de agosto nós do Grupo Libertação Popular (GLP) estivemos presentes na assembleia geral dos garis do Distrito Federal distribuindo um panfleto e dialogando com os trabalhadores em apoio à luta da categoria e em memória de Gildo Rocha. Conversamos com centenas de garis e margaridas e fomos muito bem recebidos. A assembleia estava bem cheia, provavelmente cerca de 500 trabalhadores. Mas a burocracia sindical da CUT conseguiu aprovar mais uma vez um acordo rebaixado com a patronal, com muitos votos contrários e sem direito a nenhuma fala contrária no carro de som. De toda forma, seguiremos em apoio a luta e a organização dos garis, ainda mais certos da necessidade de combate à burocracia sindical lulista e em defesa de um sindicalismo independente, democrático e combativo!
Segue abaixo o panfleto distribuído pelo GLP na assembleia:

SEM ILUSÃO COM A FARSA ELEITORAL
AVANTE A LUTA DOS GARIS E MARGARIDAS POR UMA VIDA DIGNA!
Todos os dias os garis e margaridas realizam um trabalho braçal pesado e essencial para a saúde da população. Apesar disso, esse esforço é desvalorizado pelos patrões e políticos que governam o sistema, explorando os garis com salários baixos e péssimas condições de trabalho. Eles não se importam com o povo, só querem roubar o nosso suor e o nosso voto.
Por outro lado, existe uma verdade muito perigosa para o sistema: os garis unidos tem um grande poder nas mãos. O serviço de limpeza urbana é essencial para toda a economia da cidade. A greve dos garis, mais do que um instrumento “simbólico”, é uma poderosa arma para forçar os políticos e patrões a atenderem as reivindicações justas da categoria. Nenhum direito vem de “favores” de patrões bonzinhos: são arrancados na marra.
A luta pela aprovação do PL 4146: dignidade e valorização
É por isso que os garis em todo o Brasil vem lutando pela aprovação do PL 4146, que além de regulamentar a profissão, também propõe: piso salarial de R$ 3.036,00; aposentadoria especial; jornada de 36h semanais; adicional de insalubridade de 40%; etc. Apesar de ter sido aprovado na Câmara, hoje o PL 4146 está parado no Senado, aquele covil de ladrões!
Isso mostra como os políticos tratam o povo: na campanha prometem o paraíso, no dia da eleição querem voto, mas depois esquecem o povo e só se importam em beneficiar os ricos e a si próprios. Infelizmente muitos sindicatos continuam servindo de palanque para políticos e partidos, alimentando a mentira da “mudança através das urnas”. Chega de ilusão!
Organização, solidariedade e luta por uma vida digna!
Por isso, nós do Grupo Libertação Popular (GLP) apoiamos totalmente a luta e a organização dos garis e margaridas, através das suas assembleias, manifestações e o seu recente movimento de greve nacional pela aprovação do PL 4146. Com união, solidariedade e luta, os trabalhadores da limpeza urbana conquistarão os direitos, a valorização e a dignidade que merecem!
EM MEMÓRIA DE GILDO ROCHA:
26 ANOS DO ASSASSINATO DO GARI QUE NÃO TINHA MEDO DE LUTAR
No dia 6 de outubro do ano 2000 o gari e militante socialista, Gildo Rocha, foi assassinado por policiais civis do DF. Gildo era funcionário do SALUB (antes do SLU), militante do PSTU e diretor do Sindicato dos Servidores das Empresas Estatais do DF (SINDSER).
O assassinato de Gildo ocorreu durante uma greve dos garis. Na madrugada do dia 6, ele e mais dois companheiros realizavam uma ação já tradicional nas greves da categoria: furavam sacos de lixo para dificultar o trabalho sujo dos fura-greves.
Estavam em Ceilândia quando foram atacados por três policiais civis a paisana, que renderam os amigos de Gildo mas o deixaram escapar, iniciando a perseguição. Os policiais deferiram 17 tiros contra o seu carro, matando Gildo com um tiro nas costas.
O crime político segue impune até hoje. A estratégia racista do Estado desde o início foi desmoralizar e criminalizar os três garis, plantando provas falsas no carro (uma arma e um cigarro de maconha). O governo de Joaquim Roriz (que um ano antes protagonizava ao Massacre da Novacap!), a polícia e o sistema jurídico são culpados por essa morte e a sua impunidade.
A burocracia sindical do DF também tem sido responsável pelo apagamento dessa memória. Ontem, hoje e sempre a luta honrada e combativa de Gildo Rocha deve ser lembrada por todos nós! Ela reforça quem são nossos inimigos e do que são capazes, mas reforça acima de tudo a nossa determinação de seguir na luta pela libertação dos trabalhadores.
Não esquecemos, nem perdoamos!
Gildo Rocha segue vivo na luta pela libertação!






