Somos um coletivo de estudantes e trabalhadores que surge com o objetivo de fortalecer movimentos populares de luta, contribuindo com apoio técnico, formação política e ação direta junto dos movimentos populares no Distrito Federal e Entorno. Nosso compromisso é a construção do poder popular, pautado na auto-organização, solidariedade de classe e na defesa intransigente dos direitos do povo trabalhador.
Acreditamos que a transformação social será possível através da organização e ação direta as massas, sem delegar a terceiros nossas esperanças de mudança e futuro. Por isso, rejeitamos as práticas assistencialistas, patronais e eleitoreiras que afastam o povo de sua própria força organizativa. Nosso mote é “Nós por nós” pois só a ação coletiva nas lutas garante conquistas reais.
O conturbado primeiro semestre de 2025 ficará marcado para sempre na memória coletiva dos professores do Distrito Federal. A primeira imagem que vem à mente é, sem dúvida, o golpe efetuado pela diretoria do SINPRO (PT/CUT e PCdoB/CTB) na assembleia geral do dia 25 de junho de 2025 para colocar fim à greve através do uso autocrático do poder, atropelando a decisão soberana e combativa da categoria de continuá-la até a vitória.
Mas essa imagem revoltante é, digamos, a camada mais aparente de um problema muito mais profundo. Foi a manifestação em mais alto grau de um modelo sindical burocrático e pelego que se expressa em um sem-fim de outras práticas menores e corriqueiras há muitos anos, responsável pelo histórico de mais de uma década de enfraquecimento da nossa luta e retrocessos em nossos direitos. É a ponta do iceberg de uma década perdida.
Assim, apesar da legítima indignação que se espalhou como rastilho de pólvora pela categoria, e apesar de uma categoria intelectualizada (mais de 70% com nível de pós-graduação), ainda temos dificuldade de compreender as raízes do problema e, logo, como construir alternativas a ele. Ainda há muitos colegas que acham que aquilo foi uma exceção, se veem traídos, decepcionados por seus líderes, mas passado algum tempo do ocorrido (e por uma série de relações de coleguismo, chantagens e ilusões capilarizadas pelas “claques” das correntes sindicais) se realinham novamente à diretoria, normalizando e legitimando suas práticas e discursos nefastos. É funcional à diretoria que o absurdo seja visto como um “deslize”.
Também há àqueles que veem a gravidade do problema, mas, diante de tanta safadeza e de um problema nada fácil de resolver, se sentem impotentes e cansados para disputar e construir novos rumos da luta. A máquina de controle/poder burocrático da atual diretoria do SINPRO é muito bem montada, testada, refinada, por cerca de 30 anos. Diante de um jogo de cartas marcadas, muitos acabam por escolher o caminho das saídas individuais e locais, da falta de esperança em mudanças coletivas e sociais mais amplas. Conjugando o modelo sindical falido e os retrocessos na Educação, isso tem levado muitos a desistir da própria carreira.
Nós entendemos tudo isso, nós estamos no chão da escola, não somos políticos nem sindicalistas profissionais. Mas acreditamos que a mudança não só é possível e necessária, ela está ocorrendo, ora lentamente, ora por choques violentos. Mas é um processo político-social que não respeita o nosso tempo e impaciência individual. Para aqueles que estão há mais de 10 anos na SEEDF não é difícil perceber, apesar de todo cansaço, que o acúmulo das experiências coletivas da categoria têm fortalecido um aprendizado histórico de desconfiança e crítica ao atual modelo sindical apodrecido. Não é difícil perceber que há uma mudança geracional, de jovens e combativos professores submetidos a contratos temporários, que não se encaixam nem se submetem ao velho modelo sindical.
Comunicado nº6 do Grupo Libertação Popular – GLP, Brasil, novembro de 2025.
Contato: glp.nacional@inventati.org
Aos militantes do movimento sindical, estudantil, operário e camponês; A juventude, as mulheres trabalhadoras, ao povo oprimido, negro e indígena; Aos sinceros lutadores do povo, em partidos, sindicatos, cooperativas e demais entidades; Ao bravo povo brasileiro de forma geral.
Escrevemos esse texto com o objetivo de contribuir para um diálogo coletivo sobre os rumos do movimento de massas no Brasil, a participação dos setores classistas e combativos na CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular – Conlutas) e sobre o papel dessa central na atual conjuntura.
Já estamos chegando ao final do governo burguês de Lula-Alckmin e, apesar de toda demagogia, a política econômica ultraliberal segue intacta, aprofundando a superexploração, a repressão, as privatizações e a dependência externa. Alguns salivam e se desesperam vendo o cenário perfeito para insistir no erro da “importância eleitoral” de 2026. Para nós, urge a necessidade de construir desde já um forte instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira pautado pela independência de classe, ação direta e democracia operária, só possível sobre os escombros da velha política lulista, aburguesada e eleitoreira.
A origem da CSP-Conlutas e a intervenção classista e combativa
Desde o nascimento da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) em 2004, passando pelo seu 1º Congresso em 2006, pela fundação da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (ANEL) em 2009, por uma série de encontros e lutas nacionais antigovernistas, os setores classistas e combativos (que nós construímos) defenderam e disputaram os rumos dessa entidade. No congresso da Central em 2010, a mudança de nome, de Conlutas para CSP-Conlutas, foi a marca de mudanças muito mais profundas na política e estrutura da central, frutos dos acordos de cúpula entre PSTU e PSOL. Diante disso alguns setores classistas e combativos saíram da central.
A nossa crítica se pautava no abandono do projeto inicial da Conlutas de ruptura com o governismo, denunciávamos os setores majoritários (PSTU e PSOL) de levarem a cabo uma política “paragovernista”, ou seja, apesar de se afirmarem na oposição ao governismo sindical-popular e ao governo do PT, por suas políticas eleitoreiras e burocráticas não levavam a ruptura com o governismo até as últimas consequências, ao contrário, reforçavam ele, socorrendo-o quando ele já estava em crise profunda. O maior exemplo foi na revolta de junho de 2013, mas isso já se verificava em dezenas de casos.
Publicado emComunitário, Conjuntura, Debate, General, GLP, Sindical|Comentários fechados em A CSP-Conlutas e a reorganização da classe trabalhadora: um chamado aos lutadores do povo
O artigo de debate “De onde viemos e para onde vamos”, escrito pelo camarada Jiren e publicado originalmente na 10ª edição do Jornal O Amigo do Povo, foi traduzido ao inglês pelos camaradas da editora “Freedom” (da Grã-Bretanha) e publicado em seu site, podendo ser lido no link: https://freedomnews.org.uk/2024/11/15/the-ruptures-of-militant-anarchism-in-brazil/ . Agradecemos a colaboração! Avante o socialismo revolucionário!
Brazilian anarchism lost influence over the masses with the decline and later, the end of revolutionary syndicalism in Brazil between the 1920s and 1930s. This syndicalism already had certain limitations when compared to the model of the historical AIT and its relationship with Mikhail Bakunin’s Alliance. The limitations can be summarised as purism, a-politicism and lack of understanding of the reality of Brazil, in addition to the centrality of anarchist organisation. What remained of anarchism in Brazil for more than half a century were small initiatives of propagandists, educationists and memorialists of anarcho-communist groups, composed of a mix of the old generation of anarchists in contact with young university students and punks, mostly from the petite bourgeoisie.
Between 1995 and 1996, through contacts between anarchist activists in Brazil and the Uruguayan Anarchist Federation (FAU), a new era emerged for anarchism in Brazil, culminating in the creation of the Libertarian Socialist Organization (OSL) in 1997 and, later, the Forum of Organised Anarchism in 2000. Despite the limitations and lack of theoretical and strategic unity of some local groups, it was in this context that Brazilian anarchism once again gained a small presence in the class struggle. Of note were the actions of the Gaucho Anarchist Federation (FAG) and, later, the Collective of Pro-organisation Anarchist of Goiás (COPOAG), with its work among waste pickers in the National Movement of Waste Pickers (MNCR), and the Libertarian Socialist Organization OSL-RJ (future UNIPA), with its urban occupations and secondary school movements in the outskirts.
Of the initiatives that stood out in the class struggle in the early 2000s, FAG’s activities lost traction among waste pickers and other social movements, adopting a shift towards post-structuralism. The Colective Anarchist Pro-organisation of Goiás, which was Bakuninist, ended in 2008. The only organisation that continued to advance, both in theory and in practice, was the group from Rio de Janeiro, which became the Popular Anarchist Union. At that time, the Popular Anarchist Union had already been debating the importance of building a revolutionary theory through Bakunin’s thought, criticising individualism and highlighting the importance of strategic action, as in the debate between CONLUTAS and INTERSINDICAL that existed within the Forum of Organised Anarchism. In this sense, the Popular Anarchist Union broke with Forum of Organised Anarchism and launched itself as a national organisation, criticising revisionism and eclecticism.
Saudações socialistas revolucionárias aos companheiros e companheiras do GLP
É com alegria e votos de sucesso que viemos saudá-los por mais este passo na construção de uma organização revolucionária.
Ainda que possa parecer apenas um passo, o fato de uma agrupação de militantes se manter firmemente compromissada com a causa revolucionária é, em si, um grande exemplo. Exemplo de que é possível e necessário não capitular diante de uma conjuntura adversa. Hoje, em meio à corrosão liberal que atinge desde a esquerda reformista até os setores que se dizem revolucionários , vemos o reformismo — mesmo em crise — retomar protagonismo no desespero da militância, ao mesmo tempo, a extrema-direita avança e o imperialismo estadunidense, também em crise, volta a apontar suas garras para a América Latina. Um cenário fértil, se não estivéssemos num cenário de desorganização, descrença e apatia das massas trabalhadoras.
Diante de tal realidade, a tarefa dos revolucionários e revolucionárias é encarar o mundo como ele é — cru e duro — sem, contudo, cair no pessimismo ou no derrotismo. Para isso, esta plenária é essencial: não apenas para alinhar o corpo militante em ação, mas também para manter viva a chama que aquece seu espírito revolucionário. Em tempos de refluxo, não é hora de desânimo, mas de compreender que o simples fortalecimento e a manutenção da vanguarda revolucionária são tarefas decisivas para o destino da classe.
Os políticos parasitas legislam e julgam em causa própria e pelos interesses dos ricos. A aprovação da chamada “PEC da Blindagem” escancarou isso! No mesmo momento em que setores políticos das classes dominantes, lulistas e bolsonaristas, brigavam pelos rumos das eleições de 2026, esses mesmos setores rapidamente se uniram para aumentar os seus já odiosos privilégios. Essa é a verdade que veio a tona e que mais se aproxima ao instinto de indignação popular: Bolsonaristas e Lulistas são dois lados da mesma moeda, cúmplices de um sistema podre e inimigo do povo!
O contraste da safadeza dos políticos com as péssimas condições de vida do trabalhador brasileiro é a verdadeira causa profunda da indignação e do mal-estar social. A aprovação da PEC da Blindagem pela direita e pela esquerda, o avanço de leis que criminalizam a luta popular, o aumento da violência policial nas favelas e campos, o aprofundamento da exploração econômica e precarização da vida, demonstram mais uma vez que o povo pobre e trabalhador não pode confiar nas instituições burguesas do Estado pra garantir seus direitos democráticos, sociais e trabalhistas. A anistia que defendemos é para o povo pobre e trabalhador, não para os políticos e burgueses!
O Grupo Libertação Popular convoca todos para participar, no 2º semestre de 2025, da campanha de propaganda “Anistia para o povo pobre e trabalhador!” em denúncia a essa democracia burguesa que mata e prende pobres todos os dias.
Participe da campanha nos locais de trabalho e moradia! Baixe o cartaz em PDF pelo site: oamigodopovo.noblogs.org ou peça o envio de cartazes (A3, coloridos) gratuitamente pelo email: glp.nacional@inventati.org. Avante!
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Publicado emGeneral|Comentários fechados em O Amigo do Povo nº14 – Agosto/Setembro/Outubro de 2025
No dia 18/06 Padre Bernardo, entorno do Distrito Federal, vivenciou uma das maiores tragédias ambientais da nossa história, o lixão Ouro Verde desmoronou. O desabamento deslocou toneladas de lixo que desceram para os rios, atingindo o Córrego Santa Bárbara e o Rio do Sal e chegando até o Rio Maranhão, a 50km do local do desmoronamento. O chorume despejado nos rios é altamente prejudicial a saúde, mata a fauna, causa prejuízos a flora, além de pôr em risco a vida dos moradores das região vizinhas.
Os pequenos agricultores da região estão privados do acesso à água dos rios, que era utilizada para abastecimento interno, para irrigação e até para a manutenção dos tanques de piscicultura, o que tem afetado a produção local e consequentemente o sustento dessa população. Os moradores fizeram protestos denunciando a falta de ação efetiva e rápida por parte da empresa e do governo, denunciam o odor forte, a proliferação de moscas e a preocupação com o abastecimento de água.
Ao menos 563 operários foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma obra da TAO Construtora, em Porto Alegre do Norte (MT). A situação foi descoberta após os trabalhadores incendiarem alojamentos em protesto contra superlotação, falta de água e energia elétrica. A ação envolveu MTE, MPT e PF, revelando um cenário de servidão por dívida, tráfico de pessoas, jornadas exaustivas e alojamentos degradantes.
Os operários foram aliciados em estados do Norte e Nordeste com falsas promessas e endividados pela própria empresa. Com jornadas exaustivas e sem pagamento (e registro) adequado de horas extras, chegavam a trabalhar 90 dias seguidos sem folga, das 5h30 às 21h. Não havia equipamento de proteção individual, acidentes não estavam sendo registrados. Nos alojamentos, havia quartos minúsculos sem ventilação, sem água e luz, colchões velhos e comida estragada.
“A sociedade, no grande sentido da palavra, o povo, a vil multidão, a massa dos trabalhadores, não só dá a força e a vida, mas também dá os elementos de todos os pensamentos modernos, e um pensamento que não sai do seu seio e que não é a expressão fiel dos seus instintos populares, é um pensamento que já nasceu morto."