O Grupo Libertação Popular convida para o 2º Ciclo de Formação Básica do Militante do Povo, que acontecerá em Brasília (DF), na sede da CSP-Conlutas (SCS, Qd. 3, Ed. Planalto, Bloco A, sala 106), sempre aos sábados, a partir das 9h da manhã nas seguintes datas: 28/02, 14/03 e 28/03. Iniciaremos cada formação com um Café da Manhã para os participantes, apresentação das pautas e organização da atividade.
Abordaremos em nossos encontros a temática: Lutas e revoltas do povo brasileiro. A formação tem o objetivo de auxiliar jovens, adultos, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras a compreender o povo brasileiro como sujeito histórico; a valorizar as experiências coletivas de resistência; a fortalecer a identidade popular, insurgente e libertadora; a preparar militantes capazes de dialogar com a realidade concreta das massas.
Em cada encontro aprenderemos sobre os seguintes temas:
28/02, Sábado às 9h – Introdução e Brasil Colônia
14/03, Sábado às 9h – Brasil Império e República Velha até o pré-golpe de 1964
28/03, Sábado às 9h- Ditadura civil-militar de 64 e anexo (outras revoltas virão)
Este segundo Caderno de Formação “Lutas e revoltas do povo brasileiro: nossa tradição popular, insurgente e libertadora” nasce da necessidade de aprofundar nossa compreensão sobre a história real do povo brasileiro: uma história marcada por exploração, violência, resistência e revolta. Longe de ser uma trajetória passiva, nossa formação social foi construída por lutas coletivas, por levantes populares, por experiências de organização e enfrentamento que atravessam séculos.
Como afirmava Miguel Bakunin:
“Isso me basta agora para demonstrar que nosso povo não é uma folha em branco em que qualquer associação secreta pode escrever o que ela bem entender. O povo elaborou, em parte consciente e quase tudo inconscientemente, seu próprio programa, que cada associação deve conhecer, adivinhar, e ao qual terá que conformar-se se quiser vencer.”
Partimos dessa compreensão fundamental: o povo não começa do zero. Sua consciência, sua cultura política, suas formas de luta e seus valores são produtos de uma longa experiência histórica coletiva. Cada quilombo, cada revolta, cada greve, cada organização clandestina, cada levante camponês ou operário deixou marcas profundas na memória popular.
Este caderno busca recuperar essas experiências como fonte viva de aprendizado. Não se trata de estudar o passado por curiosidade acadêmica, mas de compreendê-lo como parte do nosso presente e como base para a construção das lutas futuras.
Ao percorrer desde o período colonial até as insurgências contemporâneas, este material evidencia que a resistência sempre esteve presente: nos povos indígenas, nos escravizados, nos quilombolas, nos camponeses, nos marinheiros, nos operários, na juventude e nos militantes revolucionários. A história oficial tentou apagar essas trajetórias, substituindo-as por versões que exaltam elites e opressores. Nosso compromisso é resgatar a história vista desde baixo, desde o ponto de vista das massas populares.
Inspirados no pensamento de tantos revolucionários e socialistas compreendemos que nenhuma organização revolucionária pode impor artificialmente um programa às massas. O papel da militância é aprender com o povo, sistematizar suas experiências, fortalecer suas formas de luta e contribuir para que sua energia histórica se transforme em força consciente de transformação social.
Assim, este Caderno de Formação Básica do Militante do Povo – Volume 2 articula teoria, história e prática, buscando:
Compreender o povo brasileiro como sujeito histórico;
Valorizar as experiências coletivas de resistência;
Fortalecer a identidade popular, insurgente e libertadora;
Preparar militantes capazes de dialogar com a realidade concreta das massas.
Este material é, portanto, um instrumento de formação, organização e luta. Um convite ao estudo coletivo, ao debate crítico e ao enraizamento nas tradições de combate das massas populares do Brasil. Que ele sirva para reafirmar que nossa história é feita de resistência, luta e organização!
Porque outras revoltas virão. E elas nascerão, como sempre, da experiência viva das massas populares em movimento.
Revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil
Plenária Nacional do Grupo Libertação Popular Brasil, agosto de 2025.
1 – Introdução
Em maio de 2025 o Grupo Libertação Popular (GLP) completou seu primeiro ano de existência. Somos um jovem agrupamento socialista revolucionária, e, apesar de sermos fruto de outras experiências passadas, tivemos que nos reorganizar quase do zero, o que gerou desafios coletivos no nível de organização interna, de estruturação de frentes de atuação, de unidade de análise, estratégica e programática. Temos enfrentado de frente e com humildade esses desafios. Faltam quadros, falta estrutura, urge o aprofundamento em questões importantes, teóricas e práticas. Demos passos importantes, mas iniciais. Porém, seria um caminho mais fácil e seguro, tanto quanto tolo e inútil, começar a caminhada com todas as respostas.
A Plenária Nacional do GLP, realizada nos dias 23 e 24 de agosto de 2025, surgiu nesse contexto e nessa necessidade. Ao longo de pré-plenárias locais, da leitura e debate das contribuições, releitura de documentos e acúmulos passados, e durante os dois dias da Plenária Geral nós avaliamos a realidade da luta de classes nacional e internacional, os desafios atuais das massas populares e dos revolucionários brasileiros, o quê e até onde podemos avançar como organização, o que ainda precisamos fazer ou melhorar, que erros (de análise e de prática) corrigir. A Plenária teve, portanto, como objetivos: instruir, atualizar e aprofundar diferentes diretrizes da nossa Organização e Luta.
A superação da atual etapa embrionária de organização, em quantidade e qualidade, só será alcançada com um intenso trabalho político articulado com a ação militante, com um espírito de superação do dogmatismo e oportunismo, aberto às necessidades concretas e particulares da revolução brasileira. Da onde estamos para onde queremos chegar existirão muitas etapas históricas a serem cumpridas. Exigirá firmeza e coerência em nosso projeto político (socialista, revolucionário, classista, anti-imperialista, autogestionário) mas grande habilidade para efetuar as transformações internas e orgânicas exigidas em cada etapa de construção, sem se apegar às fórmulas prontas e acabadas. Por isso batizamos nossa Plenária com um lema parafraseado do MIR-Chileno: revolucionar a nós mesmos para revolucionar o Brasil.
A Plenária ocorre em um momento histórico no Brasil e no mundo marcado pelo acirramento das disputas imperialistas e burguesas, de aumento da superexploração das massas trabalhadoras, retiradas de direitos e destruição ambiental, de novas guerras pelo mundo e do genocídio do povo palestino. O cheiro de enxofre e pólvora do imperialismo ianque se torna mais forte na América do Sul ameaçando os nossos irmãos venezuelanos e também a todos nós com o redesenho geopolítico e econômico da região. Frutos da crise do imperialismo, o atual contexto seria um terreno fértil para uma estratégia revolucionária se não fosse a crise de organização, ideológica e de direção do proletariado.
O descompasso entre as limitações subjetivas da classe e as grandes exigências da nossa geração tem levado comumente à confusão e à capitulação, expressos nos apoios tristes e desgostosos nos “menos piores”, na gestão “progressista” da barbárie, ou pior, alimentado a política reacionária e entreguista da extrema direita. Diante disso, não devemos pintar a realidade com as cores do nosso gosto. Como alertaram os camaradas da editora Grito do Povo na Saudação à Plenária: “a tarefa dos revolucionários e revolucionárias é encarar o mundo como ele é — cru e duro — sem, contudo, cair no pessimismo ou no derrotismo”.
A Plenária reafirmou que todos nós, militantes do Grupo Libertação Popular, assumimos uma grande responsabilidade aos decidirmos construir uma organização como a nossa. Uma responsabilidade frente aos nossos camaradas de luta, mas, principalmente, frente as tarefas de libertação da nossa classe. Nosso nome expressa o nosso objetivo supremo: libertação popular. Alcançar a libertação econômica, política e social em um país como o Brasil não será fácil. Enfrentamos grandes inimigos capitalistas, militaristas e imperialistas. Mas nós decidimos e juramos contribuir honestamente e decisivamente com essa causa. Certamente não faremos sozinhos e ainda temos muito o que caminhar e aprender, mas não desistiremos nem capitularemos, nos organizamos para superar nossas limitações, dar nossa contribuição no curto, médio e longo prazo. Com uma linha correta (como um grupo de ação, de combate, profundamente classista), seguiremos avançando, revolucionando-nos, com paciência e firmeza.
Como revolucionários, iremos ao povo, aprender, apoiar e contribuir para a unidade e direcionamento dos esforços da luta proletária, especialmente nos setores estratégicos. Reafirmamos que o nosso povo não é uma folha em branco (como pensam os doutrinários elitistas de esquerda e de direita), ao contrário disso, é a fonte sagrada e rica da revolução, é a nossa maior fortaleza. Nosso povo é grande, nós somos pequenos. A revolução brasileira diz respeito ao povo, não às nossas opiniões individuais ou sectárias. A força, a sabedoria e as tradições ancestrais, insurgentes e libertárias do heroico povo brasileiro são a fonte e o segredo da vitória da revolução, únicas bases capazes de mobilizar e sustentar os imensos sacrifícios para a destruição da velha ordem e construção de um novo Brasil: do poder popular, da liberdade e do socialismo.
Ir ao Povo! Organizar a luta combativa por uma vida digna e pela libertação popular!
Na segunda-feira (15/12) começou a greve nacional dos petroleiros e a partir do dia 16/12* em todo Brasil os trabalhadores dos Correios decidem também cruzar os brazos. São duas categorias estratégicas na economia e na logística do Brasil, país dependente e com dimensões continentais. A força dos trabalhadores se torna ainda maior ao paralisar a logística de entregas às vésperas do natal e ano novo.
A greve petroleira iniciou com forte adesão e já enfrentou a repressão policial. Tudo indica que ambas as greves serão duras, exigindo a unificação dos movimentos contra o inimigo comum, assim como ações combativas, poder real às bases e impulsionar a solidariedade classista se quisermos alcancaçar a vitória dos trabalhadores contra os patrões e o governo!
Nenhuma ilusão no governo Lula e nas burocracias da CUT/PT
As greves na Petrobrás e Correios iniciam após meses de mesas de enrolação, aonde o Governo Lula e as empresas, por um lado, mantinham suas propostas inaceitáveis de retirada de direitos e negação das reivindicações das categorias, e, por outro lado, as burocracias sindicais da CUT/PT alimentavam ilusões no governo e não preparavam de fato o movimento grevista. Assim, as greves estouram com os trabalhadores chegando ao limite da indignação! É fundamental romper desde já com as ilusões no Governo Lula e ver ele tal como é: um inimigo dos trabalhadores!
Não à precarização e a privatização: Petrobrás e Correios à serviço e sob controle dos trabalhadores!
A revolta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho enfrenta uma grande ofensiva das classes dominantes para aumentar os seus lucros através das políticas de precarização do trabalho/serviços e da privatização das empresas estatais. Por outro lado, a “estatização”, dentro do nosso Estado burguês e corrupto, não é garantia de solução do problema. Devemos resistir com unhas e dentes contra a precarização e as privatização, mas acumulando forças para uma estratégia e programa classistas, que coloquem a Petrobrás e os Correios à serviço e sob o controle do povo trabalhador brasileiro.
*O início da greve nacional dos trabalhadores dos Correios foi postergada pelas burocracias sindicais da FENTECT e FINDECT de 16/12 para 23/12, atendendo ao pedido do governo Lula para mais uma semana de “negociação”.
Publicado emCampanha, Conjuntura, GLP, Sindical|Comentários fechados em Avante a greve nacional dos petroleiros e dos trabalhadores dos Correios!
As eleições chilenas levaram à presidência o reacionário José Antônio Kast. Buscando contribuir com uma análise socialista e revolucionária das razões dessa vitória, das lições e desafios para a luta das massas populares chilenas e latino-americanas, publicamos aqui a tradução em português da declaração política do secretariado geral da Força Ação Revolucionária do Chile (FAR).
O processo político chileno revela dilemas comuns às massas populares latino-americanas. A similaridade se torna ainda maior com o Brasil. Os dois países passaram por revoltas populares na segunda década do século XXI, Brasil em 2013 e Chile em 2019, que mudaram profundamente a luta de classes e a política nacional. Nesse cenário as políticas progressistas e reacionárias emergem como duas faces da gestão do sistema e controle das massas. O refluxo das lutas, gerando retrocessos organizativos e ideológicos, será uma marca também do período pós-revolta, exigindo dos revolucionários uma precisão de análise e atuação diante dos cenários adversos.
O comunicado apresentará as raízes das opções eleitorais, Kast e Jara, bem como fará uma importante crítica dos falsos pressupostos políticos do progressismo chileno baseado na chantagem, no medo e no oportunismo eleitoreiro: “defesa da democracia”, “retorno do fascismo”, e outros. No Chile como no Brasil o progressismo é a antessala do reacionarismo.
Assim, mais do que um texto de curiosidade política, a tradução que disponibilizamos aqui nos ajuda a pensar e agir em nossas realidades, extrair as lições, identificar as diferenças, avançando em nossas tarefas de combate contra os nossos inimigos e contra nossas próprias limitações, rumo a revolução brasileira e latino-americana.
Tradução ao português: Maradona
NEM PROGRESSISTAS, NEM REACIONÁRIOS:
MILITANTES REVOLUCIONÁRIOS!
Balanço político e tarefas da militância revolucionária frente ao novo cenário da luta de classes.
Como um déjà vu histórico, o prelúdio destas eleições presidenciais nos remete inevitavelmente ao segundo turno entre Boric e Kast em 2021. Antes, como agora, utilizou-se de um amplo repertório de argumentos orientados a justificar o voto pelo progressismo, apresentando-o como a única barreira possível frente à reação. Hoje, esse mesmo raciocínio reaparece sustentado pelo medo, pelo desespero e, sobretudo, pela ausência de um caminho político próprio para avançar na luta revolucionária.
Desde nossa perspectiva, não é uma novidade assinalar que Kast e Jara[1] representam estratégias distintas de governabilidade, mas ambas são funcionais e complementares sob o regime burguês.
Comunicado nº7 do Grupo Libertação Popular – GLP, Brasil, dezembro de 2025.
Contato: glp.nacional@inventati.org
1 – Os atos convocados para esse domingo (14/12) com as palavras de ordem “Congresso inimigo do povo” e “Sem anistia”, pelas frentes governistas Brasil Popular e Povo sem Medo, assim como por todos os partidos e centrais de esquerda, ao contrário de um combate real em defesa dos direitos do povo pobre e trabalhador percorrem na verdade interesses eleitorais e de lobby parlamentar. O circo eleitoral de 2026 começou. Uma conjuntura marcada pela manipulação, encenação e demagogia política em máximo grau. Como disse o socialista revolucionário Miguel Bakunin: “O sufrágio universal é a exibição ao mesmo tempo mais ampla e refinada do charlatanismo político do Estado; um instrumento perigoso, sem dúvida, e que exige uma grande habilidade da parte de quem o utiliza, mas que, se souber servir-se dele, é o meio mais seguro de fazer com que as massas cooperem na edificação de sua própria prisão.”
2 – É certo que os poderes da República (Congresso Nacional, STF e o Executivo Federal) dão provas diárias do seu caráter de classe como um balcão dos negócios dos ricos, como inimigos do povo, merecedores do ódio salutar que despertam nos setores mais conscientes das massas populares. Com o avanço da corja de deputados bolsonaristas para diminuir a pena de seus próprios crimes (PL da Dosimetria) e outros absurdos como a aprovação do Marco Temporal, é compreensível e positivo que aumente a descrença e a indignação contra o sistema político e suas instituições. A extrema direita, aliás, tem usado muito eficazmente esse ódio para seus próprios interesses. A esquerda lulista, usando um itinerário similar (vídeos de IA em whatsapp, protestos no domingo, cinismo e falsificação, etc.) passou a disputar pontualmente esse ódio a seu favor, algo, aliás, que já faz há muito tempo com a manipulação do pânico de eleitores. No entanto, acreditar que a esquerda lulista está lutando contra o “Congresso inimigo do povo” é tão ingênuo quanto crer que a direita bolsonarista é “antissistema”. Não é para defender os interesses do povo, nem tampouco combater o Congresso, que estão sendo convocados os atos no próximo domingo.
Publicado emCampanha, Conjuntura, Debate, General, GLP|Comentários fechados em Do “fora Bolsonaro” ao “fora Congresso”: O oportunismo eleitoral e o difícil caminho de reorganização das massas e dos revolucionários no Brasil
No próximo dia 13 de dezembro de 2025, o Coletivo de Apoio aos Movimentos Populares – Guilherme Irish realizará, em conjunto com o companheiro Djalma, liderança do movimento da população de rua, uma Cinedebate popular com assembleia da população de rua da região do Jardim América – Goiânia/GO.
O objetivo é promover mais um momento de formação política, diálogo e organização de base, fortalecendo a construção de um movimento combativo, autônomo e independente da população de rua.
Sabemos que nada virá de cima. Toda conquista nasce da união e da luta direta do povo. Por isso estamos construindo uma campanha de arrecadação financeira para garantir o lanche e a infraestrutura mínima da atividade. Não contamos com governo, partidos ou instituições: contamos com nós, por nós, com a força da solidariedade de classe, princípio que orienta nossa atuação junto aos setores mais marginalizados e esquecidos da cidade.
O Coletivo Guilherme Irish nasce da necessidade de organização popular combativa, atuando com apoio mútuo, formação política, ação direta e construção do poder popular ao lado dos trabalhadores, das ocupações urbanas, da população em situação de rua e de todos aqueles que seguem empurrados às margens pela ordem burguesa. Cada contribuição fortalece a luta e sustenta mais uma assembleia, mais um espaço de formação, mais um passo na construção da organização popular.
Contribua! Cada valor ajuda a garantir a atividade, a alimentação e o avanço das lutas de base no Jardim América.
Trabalhador e trabalhadora: ajude a divulgar o socialismo revolucionário compartilhando nossas matérias, adquirindo o jornal ou ainda criando uma célula de apoio do Amigo do Povo na sua cidade.
Publicado emEdições complestas|Comentários fechados em O Amigo do Povo nº15 – Novembro/Dezembro de 2025
Foto: Chacina policial nas favelas do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro (2025)
A crise política e social que atravessa o país escancara, mais uma vez, o caráter hipócrita da chamada “democracia brasileira”. Enquanto os deputados discutem em Brasília a anistia e a blindagem de seus próprios crimes — corrupção, destruição ambiental e ataques sistemáticos às liberdades populares — o Estado segue prendendo, reprimindo e assassinando quem luta e quem trabalha para sobreviver.
A contradição entre “democracia” e “ditadura”, repetida pelos blocos dominantes, é apenas um disfarce conveniente. Sob o manto democrático, opera uma verdadeira ditadura contra o povo pobre e trabalhador. De um lado, juízes, parlamentares e empresários seguem impunes, blindados por um sistema feito para proteger os seus crimes. De outro, mães e pais de família são encarcerados por “crimes famélicos”, ambulantes são perseguidos nas ruas, e militantes populares são presos e criminalizados por lutar por moradia, terra e dignidade.
O caso do companheiro Edson, do Movimento de Resistência Popular (MRP) em Brasília, preso e perseguido por lutar por moradia digna, é exemplo vivo da criminalização das lutas sociais. O mesmo ocorre nos campos, onde o sangue do povo segue sendo derramado. Nos últimos anos, dezenas de camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) foram assassinados no Norte e no Nordeste do país. Em Rondônia, Pará e Maranhão, a violência agrária voltou a níveis alarmantes: invasões, despejos e massacres realizados com o apoio direto das forças policiais e do latifúndio armado.
Entre 2 de setembro e 25 de outubro de 2025, os Estados Unidos realizaram dez ataques militares em águas do Caribe e do Pacífico, violando o espaço marítimo venezuelano sob o pretexto de combater o narcotráfico. As ofensivas, que deixaram 43 mortos — entre venezuelanos, colombianos e equatorianos —, provocaram forte tensão diplomática regional. Sem apresentar provas que as justificassem, Washington ampliou sua presença militar, em uma política que Caracas denuncia como tentativa de intervenção.
A escalada revela o avanço do imperialismo norte-americano sobre a América do Sul, usando o combate ao narcotráfico como cortina de fumaça para fins de dominação geopolítica. Os EUA ofereceram US$ 50 milhões pela captura de Nicolás Maduro e enviaram oito navios de guerra, um submarino e forças aéreas ao Caribe. Com cerca de 10 mil soldados na região, principalmente em Porto Rico, Trump autorizou a CIA a realizar operações secretas em solo venezuelano e admitiu ações terrestres contra supostos cartéis.
Publicado emConjuntura, General, guerra, Internacional|Comentários fechados em O império em crise: ofensiva dos EUA e a nova escalada imperialista na periferia
“A sociedade, no grande sentido da palavra, o povo, a vil multidão, a massa dos trabalhadores, não só dá a força e a vida, mas também dá os elementos de todos os pensamentos modernos, e um pensamento que não sai do seu seio e que não é a expressão fiel dos seus instintos populares, é um pensamento que já nasceu morto."