Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº17, Junho/Julho/Agosto de 2026.
Jiren D.

Entre os dias 18 e 21 de abril de 2026, ocorreu em São Paulo o 6º Congresso da CSP-Conlutas. O encontro reuniu 1.026 delegados e delegadas, 299 observadores e uma delegação internacional composta por 37 representantes de 19 países. Somando convidados, equipe de apoio, jornalistas e expositores, cerca de 1.500 pessoas participaram das atividades. Em dezembro de 2025, a luta de classes no Brasil foi marcada por duas greves nacionais de grande importância: a greve dos petroleiros, iniciada no dia 15 de dezembro, e a decisão dos trabalhadores dos Correios de cruzar os braços a partir do dia 16, posteriormente adiada pelas direções sindicais.
O congresso demonstrou a importância que a CSP-Conlutas ainda possui como espaço de encontro de setores antigovernistas do movimento sindical e popular. No entanto, também evidenciou limites políticos e organizativos que precisam ser enfrentados caso a Central pretenda ampliar sua inserção entre os setores mais explorados da classe trabalhadora brasileira.
Um dos principais problemas observados foi que a dinâmica geral do congresso, incluindo os GTs e as setoriais, esteve fortemente marcada pela disputa entre correntes organizadas. Grande parte dos debates acabou girando em torno de divergências entre agrupamentos políticos, especialmente entre PSTU, MRT e MPR, reduzindo o espaço para discussões mais concretas das categorias, métodos de mobilização, trabalho de base e estratégias de crescimento junto às massas populares e aos setores estratégicos.
Também chamou atenção a predominância de uma cultura doutrinária e excessivamente voltada para debates gerais de conjuntura e temas geopolíticos. Questões fundamentais para a reorganização popular, como formas de inserção nos bairros, nos locais de trabalho precarizados e entre os trabalhadores informais, receberam atenção muito secundária ou simplesmente não ocorreram.
Outro aspecto crítico foi a posição marginal ocupada pelos movimentos populares durante o congresso. A estrutura do encontro permaneceu fortemente marcada pelo peso dos setores sindicais oficiais, especialmente do funcionalismo público. Embora esses setores desempenhem papel importante nas lutas sociais, seu perfil não corresponde à realidade da maior parte da classe trabalhadora brasileira, hoje concentrada no setor privado, na informalidade e nas formas precárias de trabalho. A ausência de uma estratégia consistente para organizar e incorporar esses segmentos revela um dos principais desafios da Central.
Na plenária final, a Chapa 1 – Bloco Operário Camponês majoritária impulsionada pelo PSTU obteve 619 votos, seguida pela Chapa 5 – MPR/MRS/OSL/POR e independentes, com 115 votos; pela Chapa 2 – Nossa Classe (MRT), com 96 votos; pela Chapa 4 – Unidos, com 62 votos; e pela Chapa 3 – Combate, com 21 votos. O Grupo Libertação Popular apoiou a Chapa 5, já que, ao longo do congresso, destacaram-se as posições mais classistas apresentadas por militantes do MPR, bem como a atuação conjunta construída com a OSL. Isso demonstra que, apesar dos limites observados, existem setores dispostos a fortalecer uma perspectiva mais combativa, independente e voltada para o trabalho de base.
Durante o congresso, o Grupo Libertação Popular desenvolveu intensa atividade de propaganda, por meio da distribuição de materiais políticos e do jornal Amigo do Povo. Em conjunto com a Organização Socialista Libertária (OSL), organizou a roda de conversa “Ou se vota com os de cima, ou se luta com os de baixo”. A atividade reuniu militantes de diferentes organizações e movimentos populares, além de trabalhadores independentes presentes no encontro. O debate destacou os limites da estratégia eleitoral como caminho para a emancipação popular e reafirmou a necessidade de fortalecer a organização de base, a ação direta e a independência de classe. Também foi ressaltado o papel estratégico dos setores mais precarizados e marginalizados do proletariado, frequentemente ausentes das estruturas sindicais tradicionais, mas protagonistas de importantes experiências de resistência.
Como perspectiva política, defendemos que a CSP-Conlutas avance no fortalecimento de sua independência frente aos governos, partidos eleitorais e instituições do Estado burguês. Mais do que disputar espaços formais, a tarefa central consiste em ampliar a organização dos trabalhadores nos locais onde a exploração é mais intensa. Isso exige combater o corporativismo, fortalecer a democracia de base, priorizar a ação direta e construir formas de organização capazes de incorporar trabalhadores informais, terceirizados, desempregados e demais setores precarizados da classe. A reorganização do movimento popular brasileiro dependerá cada vez mais da capacidade de voltar-se para esses setores e construir, desde baixo, uma alternativa de luta enraizada nas necessidades concretas do povo trabalhador. ■






