Matéria do Jornal O Amigo do Povo, nº5, Abril/Maio/Junho de 2023.
Aurora.

Van Gogh. Esgotado, lápis em papel, 1882.
A notícias dos recentes massacres nas escolas tem chocado a sociedade brasileira. Aquelas notícias que pareciam que só existiam longe, nos EUA, estão se tornando uma realidade também aqui. Segundo dados da Unicamp, do total de 22 ocorrências desde 2002, 13 delas estão concentradas nos últimos dois anos. A análise sobre as motivações para tal barbárie é complexa pois envolve tanto elementos psicossociais como estruturais.
Não vamos nos debruçar sobre como se formou a subjetividade de cada um dos assassinos pois corremos o risco de cairmos em uma análise demasiado restrita. Por mais difícil que seja, pensamos que é importante pensar de um ponto de partida estrutural.
Acreditamos que um dos primeiros pontos a se desmitificar é a análise hegemônica da esquerda, patrocinada pelos influencers do PT/PSOL, de que tais fatos são diretamente derivados de 4 anos de “discurso de ódio” propagado pelo Bolsonarismo. Bem, por mais que não neguemos que existe uma proliferação de discursos de ódio, convém evocar uma análise materialista antes de confundir causa e consequência.
O discurso cria a realidade ou o contrário? Temos claro que todo e qualquer discurso nasce de uma realidade material. Se vivêssemos em uma realidade de paz, o “discurso de ódio” não se proliferaria tão facilmente. Entretanto, o Brasil vem construindo uma realidade de ódio ao longo dos últimos 30 anos com o aprofundamento do neoliberalismo. Em uma sociedade onde impera a guerra pela sobrevivência e o individualismo, os laços de solidariedade e coletividade são desestimulados. O discurso de ódio nasce daí, desse modelo de sociedade, e se prolifera neste contexto e não o contrário. Continuar a ler


Nós anarquistas quando nos referimos ao 1° de maio costumamos rememorar os mártires de Chicago que deram sua vida pela justa luta em prol da redução da jornada de trabalho. Esta memória histórica, assim como de outras lutas contra a opressão dos trabalhadores, é fundamental para fortalecermos nossa identidade coletiva, para pensarmos nos desafios impostos para classe trabalhadora nos próximos períodos e também para situarmos o anarquismo onde ele deve estar: enquanto uma teoria e ideologia que tem como cerne a luta pela liberdade. Mas afinal, o que é liberdade para o anarquismo? O que a luta contra a exploração do trabalho tem a ver com ela? Quem são os principais sujeitos e coletividades que devem impulsionar esta luta?
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