Publicado no Jornal O Amigo do Povo, nº13, Maio/Junho/Julho de 2025.
Jiren D.

Em maio de 2018, o Brasil parou. A paralisação dos caminhoneiros, que bloqueou estradas, interrompeu abastecimentos e causou impactos econômicos profundos, foi mais que um protesto contra o preço do diesel: foi uma explosão do instinto de revolta das massas precarizadas. Nesse levante, vislumbrou-se um novo ciclo de lutas — marcado pela espontaneidade, autonomia e ação direta — que ultrapassa as amarras do sindicalismo de Estado e dos partidos tradicionais.
A revolta não surgiu do nada. Ela emergiu do acúmulo de insatisfações provocadas por décadas de neoliberalismo cruel, por governos servis à burguesia nacional e internacional, e por uma estrutura sindical burocrática divorciada dos trabalhadores. Na greve, viu-se a negação explícita do sindicato como ferramenta de luta. Os próprios caminhoneiros expulsaram os sindicalistas que tentaram se aproximar, desnudando sua função real: servir de freio, de braço do governo na repressão, assinando acordos fajutos enquanto a base queimava de indignação.
A paralisação se articulou à revelia das estruturas formais. Foi horizontal, descentralizada, organizada via WhatsApp, nos postos de gasolina, nos acostamentos, nas conversas de estrada. Ali, onde a sociabilidade real acontece, germinou a luta. Sem dirigentes oficiais, sem mandatos. Sem patrões e sem partidos. Foi o povo em movimento, com todos os limites e contradições que esse movimento carrega.
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Enquanto a esquerda universitária está “lutando” (simbolicamente) contra youtubers e meia dúzia de idiotas de direita, o rodo de medidas contra as massas populares, os estudantes pobres e a própria educação pública vai passando através dos órgãos do poder real do Estado: governo, parlamento, reitoria, etc. Esses órgãos e agentes do poder burguês não só ficam de fora da indignação seletiva da esquerda universitária como são comumente defendidos em nome da “luta antifascista”.









